terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Apelo da Mata Atlântica à turista, promotores do turismo em geral. Alô, você também, Ministério do Turismo e Embratur !

Confira o texto original na circular da SOS MA de número 455, publicada em 10/12/2013. Endosse o "Não ao desmatamento para fins turísticos".

O Brasil é um país extremamente rico em expressões artesanais e a diversidade etnocultural e as inúmeras comunidades tradicionais – de indígenas, caiçaras, ribeirinhas e quilombolas, entre outras – permite o desenvolvimento de um artesanato primoroso em todo o país.
No entanto, a falta de regras para o aproveitamento de recursos naturais na produção do artesanato muitas vezes tem contribuído para a exploração predatória de remanescentes de vegetação nativa em várias regiões pela extração desregrada e insustentável de madeiras, fibras, sementes e outros tipos de matéria-prima. O resultado é a degradação de áreas naturais, de parques nacionais e de outras unidades de conservação no Brasil.
Um dos casos mais graves é registrado entre Porto Seguro, Prado e Itamaraju, no extremo sul da Bahia, região famosa não apenas por ser o local do “descobrimento do Brasil”, mas também por abrigar um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do Nordeste*.
Essa região abastece um tráfico de mais de 30 mil metros cúbicos anuais de madeiras raras da Mata Atlântica. O material é amplamente usado em pratos, tigelas, tábuas de carne, talheres, gamelas, pilões, enfeites ou potes de mel, todos vendidos abertamente em rodovias, feiras populares e lojas nos centros urbanos.
O tráfico se concentra nas porções preservadas das florestas e abre novas frentes de devastação pela busca de árvores de grande porte, muitas ameaçadas de extinção. Jacarandá, pau-brasil, parajú, arruda, mussutaiba, arapati e outras espécies têm sido livremente abatidas e transformadas em utensílios domésticos e adornos. Visitantes e turistas geralmente adquirem esses produtos sem consciência do caráter ilegal e destrutivo.
Em vez de ajudar na geração de renda das comunidades, está contribuindo para a exploração predatória e fabricação mecanizada de artefatos, pois não se trata de artesanato, mas de uma indústria que envolve extração ilegal dentro e fora de áreas protegidas e centenas de fábricas clandestinas espalhadas, geralmente, pelos quintais de periferias pobres.
No extremo sul da Bahia, indígenas são responsáveis por menos de 12% da produção, apesar de seu nome ser amplamente usado para driblar a fiscalização. Além de impactos ambientais, o “industrianato” gera subemprego, sem proteção física ou legal. Um objeto vendido a R$ 40 em São Paulo geralmente é comprado por R$ 1 do produtor.
As árvores nativas, por exemplo, deveriam ser mantidas e poderiam produzir sementes para plantios comerciais, com fantástico potencial econômico, ou serem manejadas sob regras que garantam sua manutenção. Enquanto isso, é possível produzir itens de excelente beleza e qualidade com espécies exóticas, desde que seu cultivo não leve à degradação da vegetação nativa ou pressione o dia a dia de populações tradicionais.
Por isso, SOS Mata Atlântica, WWF-Brasil, Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá) e Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA) participaram da 24ª Feira Nacional de Artesanato (Belo Horizonte/MG) defendendo que Governo Federal e Congresso Nacional unam esforços com a sociedade civil para a definição célere, clara e democrática de legislação e regras para garantir a sustentabilidade socioambiental e econômica do desenvolvimento do artesanato nacional com matérias-primas nativas.

http://www.sosma.org.br/16760/brasil-precisa-de-regras-para-artesanato-com-especies-nativas

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Turismo brazilis: com viés econômico e pelo IBGE

Por falar em origens e um certo "pertencimento"...

Entre 2003 e 2009, renda gerada nas atividades de turismo cresceu 32,4%


Em 2009, as atividades características do turismo geraram renda (valor adicionado) de R$ 103,7 bilhões, um aumento real (descontando as variações de preços) de 4,6% em relação a 2008. Na série histórica, iniciada em 2003, o crescimento foi de 32,4%, contra 24,6% de aumento do total da economia.
Em 2009, as atividades características do turismo tinham 5,9 milhões de ocupações, o que representava 9,9% do total do setor de serviços e 6,1% do total da economia. Esse contingente foi 1,3% maior do que em 2008 e 10,5% maior em relação a 2003.
Em 2009, as atividades características de turismo pagaram R$ 48,8 bilhões em rendimentos (salários e outras remunerações), 4,8% do total do setor de serviços e 3,5% das remunerações da economia brasileira. O crescimento nominal (não descontas as variações de preços), desde 2003, foi de 117,7%, enquanto o total das atividades da economia teve crescimento nominal de 110,3%.
Essas e outras informações podem ser encontradas na publicação “Economia do turismo: uma perspectiva macroeconômica 2003-2009”, realizada em parceria com o Ministério do Turismo e que traz informações como a geração de renda e o número de postos de trabalho das atividades econômicas relacionadas ao turismo, inclusive o crescimento da renda gerada pelas atividades características do turismo desde 2003.

A coisa toda pode ser acessada original e diretamente na fonte

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Volta às Origens

Foi há coisa de 4 anos que este blogue ainda acompanhou o surgimento da Cactus e numa menção àqueles primórdios da UFSCar de Sorocaba, vai a saudação às turmas que começaram e mantém o Turismo em seu "bom nome". Então: prestigiem a 4a. Semana de Turismo na Universidade Federal sorocabana.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dica de "blog" inspirador pra urbanistas e planejadores de lazer e turismo

Soube deste Playground Designs através de fórum lá do Be Welcome. A dica é sobre a primeira, mas também vai uma recomendação para quem gosta de couch surfing: migre para o segundo link acima, acompanhe a vertiginosa evasão do C$, devido às novas resoluções unilaterais impostas nos termos e condições de filiação ao site do sofazinho que desguardaram uma série de prerrogativas de privacidade e uso de informações e que são o caminho para traduzir-se em venda do conteúdo e rentabilidade do antes "comunitário" surf. Se você se preocupa com isso, antes que aconteça de fato, é melhor se prevenir.

De volta aos playgrounds, é impressionante a constatação de que não há maior interesse em se investir nisso em terras brasilicônicas. Nas praças a céu aberto de sua cidade, por exemplo, tudo é uma beleza ou há um ou outro brinquedinho apenas, invariavelmente mal cuidado, quando não  deteriorado até a ponto de se tornar perigo iminente para a criança mais desavisada. Se este texto fala bobagens, por favor, manifeste-se.

Diz-se que nos EUA, a coisa é "parecida", não há essa atenção com relação aos brinquedinhos em espaços públicos porque o lance é entertainment e portanto, deve ser pago, pois pagando, tudo é bom, o privado é que é de qualidade, Valdisney world my brother!

Que seja, aqui, a coisa é mais embaixo: é descaso mesmo, não só de governantes, de cidadão que também não quer nem saber de nada ou que acha que a vida não é pra brincar, então, aceita a ideia de que o lance é só trabalhar e rezar, passivamente, como lhe foi incutida a lógica perversa de alienação: tudo vira um pRayground e com sorte e se SeuDeus quiser, dá até pra comprar uma diversãozinha pois todomundoé fiodedeus e botar um silicone em várias prestações.

Enquanto isso lá na Romênia... nas fotos abaixo, playgrounds em áreas abertas, numa cidade que é metade de Ribeirão Preto: Cluj Napoca é centro de referência universitária na região, segunda cidade de um país com dimensões que se assemelham aos contornos territoriais do Estado do Paraná. Acrescente-se mais a área do Estado do Rio de Janeiro e então temos, o tamanho do que é a Romênia, um país com um PIB grosso modo igual que a destes dois mencionados estados brasileiros somados. Não parece ser dinheiro a questão para se ter ou não mais playgrounds para a comunidade.










E enquanto isso, em Ribeirão Preto ou em São Luís do Maranhão...
Existe na cidade do desgastado e equivocado epíteto de califórnia brasileira um parque prestigiado pela classe média "plus" e emergente conhecido como Curupira. Lá não há playgrounds, como na maioria das praças pela redondeza. Ultimamente, naquele parque que era uma pedreira, nem aparelhos de ginástica ou circuito de atividades aeróbicas estão vistosos. E tem campanha eleitoral alusiva à implantação das tais academias ao ar livre... nada contra a finalidade saudável da coisa, mas vão cuidar e dar manutenção, além de certa orientação para a prática correta, nesse locais em que tais geringonças já foram instaladas? Quanto a prometer que o projeto se estenda para TODAS as praças da cidade, alguém acredita? Não seria mais eleitoralmente oportuno, ainda que oportunista, se propor a realização de mais playgrounds? Num município em que muitos de sentimento bairrista megalomaníaco se gabam de ter (esquecem -se de que é com a população flutuante inclusa) coisa que beire 1 milhão de gente, talvez fosse necessário dar mais atenção às criancinhas e seu desenvolvimento lúdico... coisa que na Jamaica Brasuca, capital maranhense que sem dúvida tem porte de malha urbana com mais de 1.000.000 de pessoas, infelizmente, também não se viu dar maior atenção, já que em comemoração aos seus 400 anos de história, o que mais chamou a atenção foi o odor fétido proveniente da Lagoa da Jensen, os brinquedos quebrados e os toaletes de praça indescritiveis naquele que é um ponto turístico da ilha e não as atrações musicais encomendadas para a festa. Ainda é tudo uma questão para satisfazer o povo com um pouco de circo. Pena, sairia mais barato, preparar as crianças para malabarismos, em playgrounds com boas condições de uso. Cresceriam mais saudáveis, sem que governantes tenham de apelar para tanto exibicionismo circense.




sexta-feira, 13 de abril de 2012

Our human heritage: who cares anyway?

Juliana Paes, quem sabe você se sensibilizou mesmo que um pouquinho e dá uma forcinha, aproveitando que ultimamente dependemos muito mais de celebridades das artes e não do meio político? Globo, vai fazer algo pelo nosso patrimônio cultural ou de seu mato só se soltam as capivaras pasteurizadas?

São Raimundo Nonato, 7 de março de 2012


Senador Eduardo Matarazzo Suplicy


Senhor Senador,


Neste texto farei uma síntese do que é o Parque Nacional Serra da Capivara, seu papel no desenvolvimento sócio econômico da região sudeste do Piauí e os problemas que enfrentamos. Peço-lhe que o apresente à Presidente Dilma Rousseff, solicitando que ela nos conceda uma audiência, ou, melhor ainda, que ela venha conhecer a Serra da Capivara. O Parque foi palco de importantes eventos internacionais, aqui foram abertas as comemorações dos 500 anos da descoberta do Brasil.


Desde 1973 realizo pesquisas nesta região. Inicialmente tratava-se de uma missão arqueológica do governo da França, pois eu era professora da École des Hautes ètudes em Sciences Sociales, em Paris. Iniciei minha carreira no Museu Paulista da USP, mas, em 1965, tive que partir para a França, como consequência da tomada do poder pelos militares.


O tema da pesquisa, na região, foi definido como “ O Homem no sudeste do Piauí, da Pré-História aos dias atuais. A interação Homem-Meio”, com um enfoque interdisciplinar. Em 1978, ao fim dos trabalhos de campo, enviamos um relatório ao governo brasileiro, relatando a riqueza da região, seus sítios com pinturas pré-históricas e a necessidade de proteger todo esse patrimônio.


Em 5 de junho de 1979 foi criado o Parque. As características que mais pesaram na decisão da criação do Parque Nacional são de natureza diversa:


- ambientais - o Parque Nacional Serra da Capivara é o único Parque Nacional situado no domínio morfoclimático das caatingas, a unidade abriga fauna e flora específicas e pouco estudadas. Trata-se, pois, de uma das últimas áreas do semi-árido onde há
importante diversidade biológica;


- culturais - na unidade existe uma densa concentração de sítios arqueológicos, a maioria com pinturas e gravuras rupestres, nos quais se encontram vestígios extremamente antigos da presença do homem (100.000 anos antes do presente).
Atualmente estão cadastrados 1.315 sítios, entre os quais, 1029 apresentam pinturas rupestres, sendo os outros sítios, acampamentos ou aldeias de caçadores-coletores, aldeias de ceramistas


- agricultores, acampamento, sítios funerários e, sítios arqueo-paleontológicos;


- turísticas - com paisagens de uma beleza natural surpreendente, com pontos de observação privilegiados. Esta área possui importante potencial para o desenvolvimento de um turismo cultural e ecológico, constituindo uma alternativa de
desenvolvimento para a região.


Depois de criado, o Parque Nacional ficou sem proteção, nem manutenção. Análises comparativas das fotos de satélite evidenciaram esse fato.Durante este período a Unidade de Conservação foi considerada “terra de ninguém” e como tal, objeto de depredações sistemáticas. A destruição da flora tomou dimensões incalculáveis. Em razão dessa situação os pesquisadores da cooperação científica bi-nacional (França-Brasil), decidiram, em 1986, criar a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM) em São Raimundo Nonato Estado do Piauí, uma entidade científica, filantrópica, uma sociedade civil, sem fins lucrativos, declarada de utilidade pública estadual
e federal e cadastrada no Conselho Nacional de Assistência Social.


A partir de 1989 a FUMDHAM iniciou os trabalhos de um projeto de desenvolvimento sócio-econômico. Em 1991, a UNESCO, pelo seu valor cultural, inscreveu o Parque Nacional na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade. A apresentação do
pedido de inscrição foi, por solicitação do Ministério de Relações Exteriores, elaborada e apresentada na Conferência Geral da UNESCO por Niède Guidon, diretora da FUMDHAM. A UNESCO considerou a FUMDHAM como responsável pela preservação dos sítios arqueológicos. Neste mesmo ano, a pedido do governo brasileiro, Niède Guidon foi cedida pelo governo francês para elaboração e implementação do plano para a proteção desse patrimônio mundial.


Em 1993 obtivemos o auxilio do Banco Interamericano de Desenvolvimento que enviou técnicos que analisaram a região e entregaram um relatório no qual explicavam que a agricultura nunca seria economicamente sustentável, em razão do solo ser raso, arenoso, pedregoso, com muito sal. Mas que o turismo seria a solução que poderia mudar completamente o destino da população local, então extremamente pobre.

Esse relatório foi enviado ao governo brasileiro.


Contratamos uma firma suíça que fez um estudo detalhado do potencial turístico, tendo indicado que o número de turistas, naquele ano, seria de 3 milhões. Em 1995 obtivemos financiamento do mesmo Banco para construir a infraestrutura para
proteção e para a visitação do Parque Nacional.


O Parque Nacional foi considerado pela UNESCO, em 2011, como o mais bem estruturado do mundo entre os sítios do patrimônios culturais mundiais de arte rupestre.


Mas, hoje, não temos mais condições para manter o Parque sem um orçamento fixo. O Instituto Chico Mendes tem somente um funcionárioe um pequeno numero de guardas, terceirizados. Um só veículo. O IPHAN tem também uma funcionária na cidade, um veículo, mas não tem verbas para poder atuar.


A FUMDHAM, que chegou a ter 270 funcionários, tem hoje somente 130. Das 28 guaritas, construídas no entorno de todo o Parque, somente 14 estão funcionando. Estradas, passarelas para visitação, o Centro de Visitantes e as próprias guaritas não podem ser mantidas como deveriam.


Pela lei Rouanet, recebemos, regularmente, recursos da Petrobrás, mas os mesmos não são suficientes para cobrir todas as despesas. Para poder manter o Parque, sua infraestrutura, proteger a fauna, manter os sítios de pinturas rupestres
limpos de modo a evitar a propagação de incêndios e a destruição das pinturas, precisaríamos de um orçamento fixo de R$ 380.000,00 mensais.


Conhecendo a dificuldade em obter recursos fixos, a FUMDHAM investiu para tornar o Parque auto sustentável. Em 1996, havia sido criado o aeroporto internacional Serra da Capivara e, em 1997 foram liberados os recursos para iniciar sua construção. Mas até hoje o aeroporto ainda não está terminado, as obras estão paradas neste momento.


Há interesse de empresas estrangeiras em investir em infraestrutura hoteleira nas vizinhanças do Parque. A diretoria da Avianca nossolicitou informações, pois desejavam criar uma linha até o aeroporto “Serra da Capivara” em São Raimundo Nonato. Mas sem o aeroporto tudo isso não se tornou realidade. Informamos por oportuno que foi construída a pista do aeroporto e o terminal está parcialmente construído, faltando apenas o seu acabamento e a infra-estrutura necessária para o seu funcionamento.


Do Instituto Chico Mendes recebemos R$ 1.214.364,83 em 2010 e nada em 2011. Uma renovação da Parceria, como uma previsão de R$ 2.691.120,00 para 24 meses está em tramitação. Do Ministério da Cultura, salvo as autorizações de captação de recursos pela Lei Rouanet, somente recebemos, em 2008,R$ R$ 500.000,00.


O que permitiu manter o Parque, apesar dos cortes no número de funcionários e a impossibilidade de conservar corretamente a infraestrutura, foi a doação da Petrobrás de R$ 1.618.745,05, em 2011. Mas esses recursos terminaram e as previsões para 2012 não serão suficientes.


A necessidade de um orçamento fixo é imperiosa, seria lamentável renunciar a tanto trabalho e investimento passado e a um rico futuro em todos os aspectos.


Agradecendo a atenção apresento a Vossa Excelência minhas respeitosas saudações,


Niéde Guidon

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Turismólogas, turismólogos, bacharéis em turismo que não se assumem como tanto, deste Brasil ill ill

Atenção: guardem bem a data de ontem, 19/01/2012, quando publicado em diário oficial, sancionada pela nossa presidente Dilma, a lei de número 12.591. Veremos, o que daqui mais uns 10 anos isto vai virar...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O quanto um artista/ banda tem da sua devoção?

Já passou do estágio de apenas ter as músicas, conhecer o primeiro trabalho discográfico de um músico do começo ao fim, seus vídeos e ir um par de vezes às apresentações ao vivo deste em sua própria cidade?

Então, provavelmente, já foi à cidade vizinha também para conferir sua performance e eventualmente, já viajou, ficou mais de um dia fora de sua casa, para cumprir com seu compromisso de fã. Para além disso, já seguiu uma parte considerável de uma turnê dele pelo país ou foi além, até onde este ídolo dava seus shows pelo exterior? Parabéns, são de fãs assim que esses artistas devem a sustentação de suas rotinas artísticas.

A atividade turística de culto é relativamente conhecida enquanto seu viés mais religioso e há tempos existe razoável material descritivo a respeito. Já para essa religião pos-moderna do culto artístico, do qual a cena musical é a mais proeminente são mais raras as fontes documentais de uma abordagem que quantifique ou qualifique de forma mais abrangente todo esse fenômeno.

E mesmo que você, enquanto fan(ático ou ática), seguidor(a), admirador(a), tiete, qual nome que julgue melhor para seu prazer em cultuar tal artista, mesmo não se enxergando como um(a) adorador(a), nem admita que seja alguma devoção, quanto mais, "religiosa"; pois, mesmo que leve em mente a letra da canção que diz "No Bad Religion song make your life complete", uma vez envolvido(a) com essa experiência de estar presente onde este(s) artista(s) estiver(em) atuante(s), você é um(a) turista diletante. Mesmo que não goste do termo turista e prefira viajante. É mesmo?

Mas então, vamos aonde se quer chegar: talvez você seja mais que isto, você seja o(a) próprio(a) artista e que nada disso lhe seja qualquer novidade. Ou talvez que, apesar de não ser exatamente, um ídolo, uma estrela, você se envolva em relações trabalhistas com alguém ou pretende que sua relação com o(a) artista seja até algo mais profissional.

É aí que está sua chance de (tentar) conciliar labuta e prazer. Passa da hora de mais gente explorar o filão de turismo ligado à musica, sobretudo o receptivo para toda a equipe dos artistas, the star(s)included of course, internacionais aqui no país. Se estes estão a trabalho e então, tecnicamente, em turismo de negócios, os mesmos não estão trabalhando 24h pelas datas que efetivamente cubram na agenda, em nossas terras e até de nossos vizinhos e, certamente, muitas vezes, podem antecipar e/ou esticar o fim da estada nos destinos para as tais atividades discricionais, o gozo de tempo livre.

Portanto, aproveite que já demonstrou conhecer mais de seu potencial cliente para organizar-lhe um caprichado roteiro, tailor made e ofertar-lhe, seja como uma sugestão em gratidão ao que o artista lhe representa, seja para além de propor-lhe, operacionalizar toda a parte que lhe caiba enquanto um expert em turismo e da trilha sonora desta sensacional jornada. Se, em geral, já gostam da plateia brasuca, o que dirão, conhecendo muito mais do Brasil?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Turismo e Observação de Aves: o Brasil saindo do atraso

Segue copiado do mailing ao que tudo indica, da AvistAr, que realiza já há alguns anos um concorrido concurso de fotos sobre a Avifauna.

Participe do Censo Brasileiro de Observação de Aves, mesmo que você não seja (ainda) um Observador de aves!

Vamos descobrir qual a relação dos brasileiros com a observação de aves livres na natureza.

Essa é uma pesquisa de âmbito nacional, os resultados serão de livre acesso e publicados em Maio de 2012. Participe!

Bastam 6 (sic)minutos [seis só? nooove!: nota do editor] de sua atenção.

http://www.surveygizmo.com/s3/746529/ada958cbf578
Os passarinhos agradecem.

O Censo Brasileiro de Observação de Aves é organizado pelo Avistur - Grupo de Estudos de Turismo de Observação de Aves - www.avistur.com.br

domingo, 9 de outubro de 2011

É isso mesmo cariocas do tipo da Vila Autódromo: tourists, go home! Go home if you can´t give my home back

Esta entrevista que vai a seguir é a parte disponível pela própria Caros Amigos online, mas procurando um pouco mais não deve ser difícil achar o todo. O que rola é que hoje mesmo, o programa do Juca Kfouri na ESPN também apresentava o Dr. Carlos Vainer, pesquisador carioca que mais cariocas (e paulistas) deveriam respeitar, pois falando lucidamente sobre as perspectivas dos average citizens (of the world...)do nosso Brasil, ill, ill ill nos próximos anos de megaeventos esportivo-culturais. E quem soube das coisas "secundadas" do showbizz, dos bastidores (nem tanto, digamos, algo do que tentaram esconder quando a fonte eram canais de comunicação mais poderosos) do recente Roque in Rio pode sacar dessas ações que a organização aplica, parte de toda a estratégia das grandes negociatas, da qual este estudioso fala.

E depois, seja no pós-RiR2011, 2013, seja lá em 2014 ou 2016, que, o que sobrar de tudo isso, não seja algo do tipo uma camiseta de souvenir com os dizeres "Essa roubada de evento: EU FUI"

Entrevista Carlos Vainer:

"O que está em jogo na Copa e Olimpíadas não é o esporte, mas sim os grandes negócios"

Por Débora Prado

Professor do IPPUR/UFRJ (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Carlos Vainer explica nesta entrevista que os megaeventos esportivos estão relacionados a um novo modelo de planejamento urbano em que a realização de negócios prevalece aos interesses do conjunto da população. Com isso, poucos grupos privados se apropriam do recurso público, enquanto a pobreza é criminalizada. Confira:


Caros Amigos - Qual impacto os megaeventos podem ter no planejamento urbano?

Esses megaeventos não acontecem por acaso, estão ligados a uma revolução no sistema urbano, a uma nova modalidade do planejamento que surge nos anos 1980 e que torna a cidade uma empresa a concorrer no mercado com outras ‘cidades-empresas’, na busca de capitais, investimentos e pelos próprios eventos. As regras de organização do espaço urbano, todas as normas, devem ser subordinadas à lógica do negócio. Por exemplo, numa área qualquer só é permitido construir prédios de 10 andares, mas, se empresa quiser fazer de um prédio de 15 andares, ela paga pelo direito de construir. Surgem as operações urbanas, aquelas autorizadas contra a lei de uma cidade, você abre uma exceção, em tese, para aproveitar as oportunidades – o que na verdade transformou a cidade num mero espaço de realização de negócios, numa mercadoria a ser vendida, teoricamente em nome do progresso. Os interesses e objetivos coletivos vão pelo buraco. Se a cidade é uma empresa, não se pode discutir muito, tem que fazer negócios. E transformada em empresa a cidade bane a política, uma vez que o dissenso é banido porque é uma ameaça à competitividade. Os sindicatos lutando por aumento de salário são vistos como ruins, porque como é que eu vou atrair uma empresa para cidade se tem sindicato aqui lutando, como é que eu vou atrair os jogos se tem gente contra. Então você tem que abolir política, a forma pela qual os agentes coletivos vão ao espaço público manifestar seus dissensos. É a cidade da exceção, porque as regras são a da ‘flexibilzação’, o que quer dizer na verdade ‘tudo o que for necessário para viabilizar os negócios’. Então, o plano diretor vira peça de museu, porque tudo pode ser negociado a favor do grande capital. E a contrapartida é o que eu chamo de democracia direta do capital, os projetos não são expressões de forças políticas, não são os partidos, as organizações das diferentes classes – aquilo que caracteriza a democracia burguesa é banido e as decisões são tomadas numa relação direta entre o capital privado e o poder público. Não há mais mediações entre os interesses do capital e os processos de decisão, eles são imediatos. E aí avançam as PPPs (Parcerias Público Privadas), avança o patrimonialismo.
O megaevento é a realização mais pura e absoluta disso, basta você ir atrás de todas as leis específicas: a FIFA não paga imposto, os hotéis pra Copa e Olimpíadas não vão pagar IPTU, todas as regras do direito de construir, do uso do solo, inclusive em termos fiscais, todas as regras são suspensos. O presidente Lula ainda foi à apresentação da candidatura do Rio e disse que se comprometia a cobrir qualquer prejuízo, ou seja, deu um cheque em branco para as instituições privadas. Ninguém elegeu o Comitê Olímpico Brasileiro, é uma instituição privada, e ele manda na cidade. Sob o controle de outra instituição privada que é a CBF (Comissão Brasileira de Futebol), vai se construir um novo estádio em São Paulo com verba pública e por aí vai. O megaevento radicaliza o modelo da cidade empresarial e da exceção.


Caros Amigos - E que consequências este modelo gera para a população?

Se o objetivo é fazer da cidade uma vitrine, é preciso esconder tudo aquilo que gera críticas, tudo o que não se coloca na vitrine, que é pobreza, miséria. A cidade é reduzida a sua faceta de exportação, é voltada para exterior e não para os seus cidadãos. Tudo aquilo que não é exportável deve ser banido. O exemplo da África do Sul está aí para lembrar isso, os pobres foram tirados das ruas, os vendedores ambulantes foram tirados das ruas, para não poluírem a paisagem. Com a Copa do Mundo, em Fortaleza, milhares de pessoas estão ameaçadas de despejo, para a construção de estradas. Aqui no Rio de Janeiro vão construir vias de transportes, todas elas voltadas para a Barra da Tijuca, atendendo o interesse da especulação imobiliária, 80% dos fluxos de transporte, as viagens feitas pelos citadinos, estão em outra direção. Mas isso não interessa, o objetivo não é transportar a população da cidade, mas fazer uma via que vá do aeroporto ao hotel ao estádio. Há interesses poderosos que mobilizam os recursos, o estádio do Maracanã foi reformado para o PAN e, supostamente, estaria preparado para as Olimpíadas e para a Copa, mas agora ele vai ser reformado de novo com orçamento em torno de R$ 700 milhões, com direito de aumento de 20%. Ou seja, há uma canalização de recursos públicos para interesses privados, para as construtoras, as empreiteiras, as empresas de telecomunicações e marketing. E evidentemente esses recursos são pagos por todas as outras rubricas, pelo transporte popular que não está sendo feito, pelo saneamento que não é feito. A privatização do espaço público é absoluta, nos jogos Pan-americanos você não podia nem levar um sanduíche para o estádio porque o Comitê Olímpico Brasileiro havia feito um contrato com uma rede de fast food que assegurava a ela a exclusividade de fornecer alimentação dentro do estádio. Todas as empresas envolvidas na Copa do Mundo terão isenção fiscal em alguma medida.


Caros Amigos – É o uso do recurso público por poucos grupos privados.

Isto é a apropriação do recurso público no seu sentido mais puro, de recursos financeiros, patrimoniais (terras), espaços públicos, tudo isso são recursos públicos que são transferidos sob regras de exceção para grupos privados, sem debate público, são negociações de que o povo não é consultado, não é ouvido, não sabemos onde estão sendo feitas essas negociações. É a transformação da cidade não apenas num grande negócio, mas num grande negócio corrupto e com o aval da presidenta da república, do BNDES, e, como as informações não são transferidas para a população, também com apoio do povo.

Aqui no Rio, as comunidades que estão próximas às sedes olímpicas estão ameaçadíssimas. Nós temos uma comunidade Vila Autódromo, localizada próxima a implantação da Vila Olímpica, não está no perímetro da Vila Olímpica. É uma comunidade antiga, população está bem organizada, um dos poucos bairros populares do Rio de Janeiro que não é controlado nem pelo tráfico, nem pelas milícias. É uma comunidade onde há anos não há um evento criminal, mas estão querendo desocupá-la, dizem que ela virou uma ameaça. Na verdade, ela virou uma ameaça aos interesses imobiliários na região.

O que está em jogo nas Olimpíadas não é o esporte, como o que está em jogo na Copa do mundo não é o futebol, o que está em jogo são os grandes negócios. E há um sentimento que faz parte da nossa cultura de amor por nossa cidade, é natural gostarmos da cidade, do local onde nascemos e vivemos, as pessoas se apegam as cidades e querem que haja eventos na sua cidade, isso faz parte da vida urbana. E esse sentimento saudável se transforma numa armadilha contra essa própria população, armadilha que nem sempre o pensamento crítico e o pensamento militante estão sendo capaz de desmontar e nós temos esse desafio pela frente. Somos desafiados a desfazer a cortina de fumaça e mostrar que sim gostamos de jogos, queremos os eventos, mas sem comprometer o orçamento público pelos próximos 20 anos.

atualização 09/10/11: soube só agorinha que houve um evento de nome "Copa do Mundo e Olimpíadas: o que está em Jogo?" na I Semana de Artes, Ciências e Humanidades, na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH)/USP, que reuniu os mesmos senhores supracitados. Uma pena não saber ainda de nenhuma discussão que tal mesa tenha reverberado por alguma fonte mais acadêmica, algum blogue turismologante ou de participante outro que estivera por lá, senão este.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Face Book on the table lesson of today

Tourists, go home!

Tourist complains about fish in harbour
Telegraph Online
6 September 2011 By Victoria Ward

Most holiday makers taking a stroll around a working harbour might expect to see the odd fish.

But when David Copp came across a fishing trawler moored in Ilfracombe Harbour he took great offence and complained about the “disgusting” smell.

The 46-year-old was outraged that his children, aged seven and nine, had been forced to endure the sight of 12 crates of dead fish and crabs, piled up on the quayside.

He said the ordeal had left them “quite distressed” and demanded to know why the harbourmaster was not more considerate to tourists.

“There were flies flying around and the smell was awful,” he said. “The ship was just sat there not doing anything, and there were 12 crates of dead crabs and fish just lying there covered in flies.

“It’s not the sort of thing you want to see on holiday, there was a real stench.

“My children were quite distressed by it. These people should be a bit more considerate to the holidaymakers."

Mr Copp called Ilfracombe harbourmaster Rob Lawson to complain about the smell that had emanated from The Lady of Lundy trawler before calling the North Devon Journal to air his woes.

Mr Lawson tried to explain that fishermen depended on the daily catch for their livelihoods and that it was a common site on a working quayside.

“He was very upset that he had come across the boxes of fish and thought it was entirely inappropriate and not a good sight or smell,” he said.

“I explained the workings of the harbour and that it was a working quay and that while it was not ideal, sometimes this happened.

“But he didn’t calm down, he went to the local newspaper and then when they printed his complaints, he came back to me to see what I had to say.”

Mr Lawson admitted that it was quite unusual to have a working harbour with public access.

But he added: “This is generally considered an asset because visitors can get a really good feel for how the industry works, they can enjoy the whole experience.

"I told this chap that you shouldn't take your children to a harbour if that is how they react to dead fish."

Mr Copp is understood to have been on a two-week family holiday in the popular north Devon tourist resort when he lodged his complaint, which attracted disbelief from locals.

One said: “Ridiculous. Does he think all his food comes in packets? What did he expect to see at a working harbour?”

Tony Rutherford, the managing director of Bideford Fisheries said "Seeing us in action is often considered a tourist attraction in these parts."


Fonte: http://uk.travel.yahoo.com/p-promo-3361576


Que mamífero mais Homo piscifobicus! Vá ser turista lá no mundinho sem odores, nem poeira, nem ruídos de seu espaço virtual. Lá na sua Unharm Ville encantada. Lugares autênticos não precisam desse tipo maníaco que quer que tudo seja como na casa dele. Peixinhos cheios de cadaverina na sua fuça! Dead Fish na orelha!

Dead Fish @SESC Ribeirão Preto, 2011

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

An Image on any given Monday: Lake Louise On The Rocks

Lake Louise On The Rocks by nailbender
Lake Louise On The Rocks, a photo by nailbender on Flickr.

Beba com moderação. E se beber, dirija-se ao bafãometro menos próximo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

You call souvenir, others call stolen goods

Let me tell just an initial thing: the years pass and tourists are still the same...

After reading the recent text below, it was just a matter of googling a bit and finding out there were surveys (and articles) like that already some couple of years ago, showing no major different results... or are the texts suggesting that the writers are recycling old news more and more?

Things people steal from hotels

By Nikki Bayley @uk.yahoo

OK, OK, we admit it. We have been guilty in the past of the crime of theft from a hotel room. Admittedly it's just been the occasional flannel, or too-tempting set of toiletries, but even so, we probably shouldn't have done it. And we're awfully sorry that we did... But we're not alone.


A survey from last year found that 86% of hotel guests had taken toiletries, as opposed to a mere 3% who admitted to stashing away bathrobes in their suitcase... and then there's the hard-core 1% who confessed to stealing electronics, silverware, and most worryingly, bibles! Hmm, thou shalt not steal, surely? So what are the most popular things that people tend to trouser after a stay in a hotel? We got the low down on some of the most pilfered, and also a glimpse into the world of the weirdest things stolen too.

Strange thefts in Salcombe...
Keith Makepeace, owner of Soar Mill Cove hotel in Salcombe, Devon, shared some of the stranger thefts with us. "We're always baffled by some of the zanier things that people pinch. Our most recent top ten has some really weird things in it: one-inch square of curtain fabric, taken from the middle of the curtain! Toilet brushes and holders, so many that now we don't put such fancy ones in the rooms. TV remote controls, which seems a bit random. We have individual cafetiere coffee pots which are regularly stolen, along with the hip flasks that we provide. It seems that some of the thieves are at least eco-aware as they steal our low-energy light bulbs, but the thing that amazes me more than anything is when people steal bibles."

Hotel chain reveals most stolen items
The Novotel chain put together a top 10 list of their most-stolen items. The most common thing to disappear from their hotel rooms are towels, followed by – perhaps more surprisingly – cushions!

Top ten most stolen items from the Novotel chain in full:
1. Towels
2. Cushions
3. Bathrobes
4. TV remote controls
5. Light bulbs
6. Mini-bar contents
7. Clothes hangers
8. Bathroom display trays
9. Coffee sachets
10. Plastic tissue boxes

Paws off!
Thanks to new technology from the USA, it looks like the number one and number three culprits from the chain's list – towels and bathrobes – could soon be off limits. Washable security tags are to be stitched into the pinchable items which will set off an alarm if anyone tries to leave with them stashed in their suitcase. A hotel in Hawaii has been trialling the thief-busting tech, and towel theft has fallen from 4,000 a month to just 750 since it introduced the tags last summer, saving more than £9,000 a month!


Now, check this also, for instance, from 2004 BBC news

Pilfering hotel guests revealed

Toilet seats and brushes, a medieval sword and a door hinge, are among items stolen from hotel rooms, a survey says.

A hotel owner's dog, a four foot high wooden bear, and a spy hole from a hotel room door are among others.

The survey of 1,000 hoteliers by Caterer and Hotelkeeper magazine found pilfering by customers was widespread, with towels top of the list.

But guests can also leave surprising items behind, such as false teeth, false eyeballs, wigs and toupees.

As many as 6% reported people having left their family member behind before checking out.

Four per cent of those questioned had found artificial arms and legs.

A third of hoteliers said towels were the most commonly stolen items from their rooms, with one in five reporting bathrobes stolen as well.

More than 10% of staff reported toilet rolls as the items most often taken and 1% said penny-pinching guests would even steal the light bulbs from their rooms.


Not satisfied? Try these 3 others, 3 different countries domains, 3 same impressions on human condition...
A survey by Accor brought by RAC travel

A survey by Telegraph Travel brought by India Times

A still running survey from a slightly different perpective of the Most Wanted Item brought by CitizenM

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Lady Murphy e a Lei de Gaga

Este é um trocadilhinho que talvez só funcione na língua portuguesa. Fato é que sobre Murphy´s Law, a galera com um mínimo de estudo, fazendo faculdade talvez, se acostumou até a se utilizar do termo. Já sobre a "outra" Lady, fenômeno muito mais recente, o que dizer por enquanto? Parece que ela é quem manda. É o "ás do baralho", a "bola da vez". Ela dita, tem decretado a modinha, o mundo fashion, o tal do shoubizinês. E povo, o povinho, o povão acompanhando... até os que se acham à parte dessa gentalha tem pagado o pau. Tudo dá certo (ao menos pra ela...) e em muito pouco tempo. Resta saber até quando. Como a primeira lei, esta lei de Gaga é uma ocorrência. A perenidade disto é que é questionável, porém, ao que consta Lady Murphy e Lei de Gaga são opostos. Por enquanto...

Fica outra questão que é: como um turista que não domine tanto a linguagem lusófona fará ao usar o Google tradutor pra fazer esse textículo mais compreensível...?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Um herpetologista que turismólogos precisam saber...


"Outra coisa que está relegada a décimo quinto plano de importância no Brasil é o turismo. Com a biodiversidade que temos! Não temos nada tão chamativo como a megafauna de mamíferos da África, mas temos onças, macacos... Em que país se consegue ver 14 ou 15 espécies de macacos numa só localidade, como na Amazônia? O turista adora ver lagarto no campo e fotografar sapo à noite no campo, mas não exploramos isso. Quem trabalha nesse ramo não conhece a fauna brasileira, não conhece os ecossistemas brasileiros, nem o que o turista gosta."

Revista Fapesp de março 2010, entrevista com Miguel Trefaut Urbano Rodrigues

Museólogos, planejadores e empreendedores desse nosso "ecoturismo", vamos lagartixar porque ainda dá pra garantir um lugar ao sol!


ps: ...e de bônus, a propósito, um contista que também é bom conhecer: muita miragem ou uma visão romântica demais?

terça-feira, 23 de março de 2010

It´s 2010 and still the book is on the table

Para turismologandos, turismologandas, turismoLUgandas, turismoluscas, turismogeisandas e etc treinarem seu inglês...


Tourism rocket makes first flight



Virgin Galactic's fledgling space tourism rocket was taken aloft over the California desert on an inaugural test flight attached to the wing of its mothership, the company said. Skip related content


The captive-carry test marked the start of a test programme for SpaceShipTwo that will progress to free flights as a glider and then under rocket power, Sir Richard Branson's Virgin Galactic said in a statement.


Throughout the two-hour, 54-minute test, the spaceship remained slung beneath the middle of the wing of its unique twin-fuselage carrier aircraft, the WhiteKnightTwo.


The pair achieved an altitude of 45,000 feet before returning to the Mojave Air and Space Port, which is 70 miles north of Los Angeles, the company said.


The rocket and mothership are the second-generation of the Burt Rutan-designed system that sent the first privately developed, manned rocket into space in June 2004. SpaceShipOne went on that year to make two more suborbital flights, winning the 10 million US dollar Ansari X Prize.


Sir Richard, the billionaire founder of Virgin Group Ltd, is in a deal with the Rutan-founded Scaled Composites LLC of Mojave, California, to develop passenger-carrying spacecraft and launchers.


The new SpaceShipTwo has been dubbed Virgin Spaceship Enterprise and the four-engine carrier jet is called Virgin Mothership Eve, after Sir Richard's mother.


"Seeing the finished spaceship in December was a major day for us but watching VSS Enterprise fly for the first time really brings home what beautiful, groundbreaking vehicles Burt and his team have developed for us," Sir Richard said.


Virgin Galactic said the flight test programme will run until the end of 2011 before commercial operations begin. SpaceShipTwo will be carried to an altitude of about 50,000 feet and then released by the mothership.


Powered by a single rocket motor, the spaceship will be flown by a crew of two and carry six passengers on a Mach 3 thrill ride through the edge of the atmosphere for a brief zero-gravity experience and views of the Earth far below before gliding to a landing. More than 300 people have made deposits on the 200,000 US dollar (£132,000) tickets.


from Press Association: http://uk.news.yahoo.com/21/20100323/tsc-tourism-rocket-makes-first-flight-4b158bc.html

quarta-feira, 19 de março de 2008

Turismo: "a indústria sem chaminés"...

...esse bordão, tão exaustivamente entoado, pelas tais "autoridades" e papagaios de corsários do trade, mesmo em dias recentes. Um clichê, que tal qual quem deste se utiliza é "sem pés, nem cabeça".

Viagem ao centro da "lixeira" do oceano Pacífico

Charles Moore conserva os seus achados mais preciosos num armário de ferro no fundo do seu jardim, perto do oceano Pacífico, em Long Beach, Califórnia. Há dez anos que, a bordo de um catamarã batizado Alguita, este homem vem caçando obstinadamente uma presa singular, o plástico encalhado no fundo do oceano. E ele encontra objetos de plástico de toda natureza, dos mais diversos tamanhos e origens. "Os meus prediletos são os ganchos de guarda-chuva", diz ele, em tom de brincadeira.

Entre esses objetos, há também um grande pacote de escovas de dentes, canetas, vasilhas deformadas pelas mordidas dos tubarões. Uma bola em forma de coração. Capacetes de canteiros de obras. "Este aqui é russo, a inscrição é em cirílico", observa Charles Moore. "Este outro tem cara de ser asiático". Mas os objetos identificáveis não constituem o aspecto mais importante desta "pesca", pois nenhum deles permanece inteiro por muito tempo, ao serem sacudidos pelas correntes. A maior parte da colheita é menos espetacular, porém mais preocupante.

São partículas menores do que um grão de areia, que resultam da deterioração dos objetos. Os granulados que servem de matéria-prima para a indústria do plástico também estão presentes em quantidades enormes. Naquele momento, Charles Moore acabara de descarregar do Alguita cerca de cinqüenta amostragens desta "sopa de plástico", que ele havia coletado em alto-mar em fevereiro. "O oceano está ficando repleto de resíduos", suspira, agitando um dos bocais de vidro.

O capitão tem cerca de 60 anos. Ele tem o olhar exangue e a pele morena e burilada dos marinheiros, além de uma autoridade natural na voz. Iniciado à vida e às manobras a bordo desde a infância pelo seu pai, por muito tempo ele ganhou a sua vida dirigindo uma empresa de restauração de móveis, antes de passar a se dedicar àquilo que mais o interessa no mundo, o mar. "Eu cresci com o espetáculo do oceano diante de mim, e acompanhei o seu processo de deterioração", conta.

O seu interesse no plástico resulta de um evento casual. Em 1997, ao retornar de uma competição de veleiros que o conduziu de Los Angeles até Honolulu, o navegador tomou a decisão de passar por uma rota habitualmente evitada pelos marinheiros, pois ela atravessava uma zona de altas pressões, sem vento, onde as correntes se enroscam no sentido das agulhas de um relógio: o Giro do Pacífico Norte. "Dia após dia, eu não consegui ver nenhum golfinho, nenhuma baleia, nenhum peixe sequer; tudo o que eu via ali era plástico", recorda-se.

Charles Moore apaixonou-se por este lugar esquecido. Ele criou uma fundação, fez com que ela fosse financiada por doadores privados e, com a ajuda de cientistas especialistas na poluição da água, desenvolveu um método de quantificação dos detritos, antes de retornar para aquela área. Os primeiros resultados das pesquisas foram divulgados pela publicação especializada "The Marine Pollution Bulletin" em 2001. A equipe recenseou 334.271 fragmentos de plástico por km2 em média (e até mesmo a quantidade máxima de 969.777 fragmentos por km2 em certos lugares), para um peso médio de 5 kg/km2. A massa de plástico é seis vezes mais elevada do que a massa de plâncton colhida no local. O Giro atua como uma armadilha para as partículas.

O lugar onde as amostragens foram colhidas, que é tão grande quanto o Texas, é batizado de Eastern Garbage Patch, a "Porção-lixo do Leste" do Pacífico. Qual é a superfície total desta vasta "lata de lixo"? "Isso, nós ainda não descobrimos", responde Charles Moore. "A água está sempre em movimento, e, com isso, a poluição fica muito difícil de medir. Eu percorri 150 mil quilômetros a bordo do Alguita pelo Pacífico Norte, e encontrei plástico por todo lugar".

A mais recente viagem do Alguita permitiu constatar um agravamento dos níveis de poluição. "Foi verdadeiramente chocante constatar que em cada colheita que nós trazíamos do fundo do mar para a superfície, a rede estava sistematicamente lotada de partículas e objetos de plástico", observa Jeffery Ernst, 22 anos, que acaba de obter o seu diploma de biologia marinha e que se alistou como voluntário para integrar a tripulação do Alguita. Os fragmentos, que são colhidos por meio de um grande jereré sofisticado, deverão ser selecionados e classificados em 128 categorias diferentes, em função do seu tipo (fio, filme, espuma, fragmento, granulados), do seu tamanho e da sua cor.

O capitão Moore não é um cientista de formação, mas o seu trabalho vem sendo reconhecido pelos especialistas neste tipo de poluição. Isso porque ele percorre locais aonde ninguém nunca vai, no meio do Pacífico. "Ele demonstrou que esta poluição realmente existe; é um pioneiro neste campo", comenta Anthony Andrady, um especialista nos polímeros que atua no centro de pesquisas Research Triangle Institute.

Segundo Andrady, o impacto desta poluição é atualmente "subestimado". Cerca de 245 milhões de toneladas de plástico, no total, foram produzidas em todo o mundo em 2006. Uma parte desta produção, difícil de quantificar, é jogada no oceano. A matéria plástica, que é muito leve, é transportada não só pelo vento, como também e principalmente pelos rios e pelos sistemas de evacuação das águas urbanas. Isso sem esquecer dos detritos abandonados nas praias. Cerca de 80% do entulho de plástico encontrado no mar provêm da terra. Apenas 20% são despejados por navios.

O plástico possui muitas qualidades. Ele é relativamente barato, muito prático e resistente. Resistente demais, justamente, quando ele escapa dos circuitos de coleta e de destruição dos detritos. No meio da natureza, ele parece ser indestrutível. "Ninguém sabe ao certo quanto tempo ele leva para desaparecer por completo", explica Anthony Andrady. "Ele pode fragmentar-se a ponto de se transformar em pó, mas ele permanece ali, no meio ambiente. Nenhum microorganismo é capaz de deteriorá-lo por completo. Todo e qualquer objeto de plástico que escapou para se misturar no meio ambiente, desde que esta matéria é fabricada, nele continua presente".

É impossível limpar o oceano. "Isso equivaleria a tentar filtrar toda a areia do deserto do Saara por meio de uma peneira", diz Charles Moore. A única solução, segundo ele, é passar a desenvolver o plástico de tipo reciclável, biodegradável, cuja produção atualmente permanece muito incipiente, e mudar os nossos hábitos. "Nós deveríamos reservar o plástico apenas para os objetos que são verdadeiramente destinados a durarem".

Gaëlle Dupont
Enviada especial a Long Beach, Califórnia
Tradução: Jean-Yves de Neufville
Copiado deste link.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Shipping up to Boston ao São Patrício


Vai copiado abaixo, um email de Márcio Kennedy Yatsuda, diretor da Kaizen (não aquela do Second Life e todo o turismo virtual vislumbrável naquela vida). Na mensagem, além do explicado no próprio texto e nos links constantes, ficam sugeridas estas questões: que tal se se aprimorasse um segmento que atendesse um turismo esportivo específico, como o de corridas?; o que empreendimentos turísticos poderiam realizar na inclusão de pessoas com alguma desabilitação e seus familiares em termos que fossem além das usuais prestações de serviços para tal público?; que tal alguém investir em turismo receptivo customizado (focado em alguns artistas diferenciados) trazendo para o Brasil atrações tais, no ensejo de comemorar certas datas específicas e ocasiões especiais, de modo algo sui generis?

esta última questão foi só pra relacionar o post ao vídeo acima, do Dropkick Murphys . Cheers Patrick!

Oi!

Algumas pessoas já sabem, que faz algum tempo (cerca de 2 anos) que venho correndo regularmente. Alguns acham loucura, outros uma chatice (;-D) e uns poucos compartilham comigo da paixão por esse esporte. Nesse período já fiz umas 15 provas de 10Km, 1 de revezamento e 2 Meia Maratonas (21Km).

Em algum momento comecei a sonhar em um dia correr uma Maratona (42Km). E ao se falar de Maratona, uma prova é tida como a Meca dessa prova no mundo: a Maratona de Boston (http://www.bostonmarathon.org). Apesar da de Nova York atrair muito mais a atenção da mídia e do público em geral, a de Boston é a mais tradicional do mundo – a primeira edição aconteceu no mesmo ano dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna (este ano será a 112ª edição...). Quando comecei a pensar em correr essa prova, veio a notícia "ô Mané, pra você correr em Boston, tem que pré-qualificar". Isso significa correr outra Maratona reconhecida pela Federação Internacional de Atletismo, dentro de um limite de tempo - pra minha faixa etária, o limite de tempo é praticamente inatingível pra mim: 3hs 15min...( http://www.bostonmarathon.org/BostonMarathon/Qualifying.asp). Na melhor das hipóteses me via completando uma Maratona em +- 3hs 45min.

Virei a página e comecei a pensar em outra Maratona, mais adequada aos mortais.

Ano passado, conversando com alguns amigos da EMC (empresa americana, parceira nossa www.emc.com), eles falaram que a EMC ajudava uma entidade assistencial na região de Boston, e que faziam uma campanha para levantar fundos para essa entidade durante a Maratona, e com isso ganhavam o direito de algumas inscrições para os funcionários que se engajassem nessa campanha. Eles então comentaram comigo que iam tentar, apenas tentar, me incluir nessa campanha – teria que ser uma exceção uma vez que isso é voltado para funcionários apenas, e a procura é muito maior que o número de inscrições.

Pois bem, mês passado fiquei sabendo que me incluíram na campanha e que vou correr (ou pelo menos tentar correr ;-D) a Maratona de Boston 2008.

Além dos treinos, comecei a ver e a pesquisar a entidade que irei ajudar a levantar fundos. A instituição se chama "The Michael Carter Lisnow Respite Center", uma instituição de apoio a famílias de crianças excepcionais (http://www.hopkintonrespite.com). O que começou como um mero novo desafio esportivo pra mim, se tornou uma real oportunidade de ajudar pessoas especiais e fazer o bem. Algumas informações sobre o "Respite Center":

- Quem foi Michael? Michael foi uma criança que nasceu em 1986, 16 semanas prematuro, com apenas 10% de chances de sobreviver. Ele nunca poderia enxergar, ouvir, falar, caminhar, e sempre precisaria de apoio intenso da sua família (http://www.hopkintonrespite.com/html/about.htm) . Algumas famílias se desestruturam completamente diante de uma realidade dessas. Outras se tornam mais fortes - foi o que aconteceu com a família do Michael. Das dificuldades enfrentadas por eles, surgiu a idéia de criar uma instituição para apoiar as famílias com crianças especiais como o Michael.

- Em 1996, na mesma semana da 100ª edição da Maratona de Boston, um ano antes da instituição abrir suas portas, Michael faleceu - então com 10 anos. Foi um duro golpe para a família que estava engajada na construção do Respite Center, que mesmo assim seguiu em frente com o projeto. Da trágica coincidência do falecimento com a Maratona, surgiu uma aliança que até hoje tem sido fundamental para levantar fundos que mantém a entidade.

A Maratona será dia 21/04, e eu integrarei a equipe da EMC que está engajada na campanha de levantar fundos para o Respite Center.

Caso você se interesse em ajudar, sugiro que acesse o site da instituição, e veja o trabalho que eles realizam. Caso você se disponha a contribuir, basta ter um cartão de crédito internacional:

- Acesse http://www.hopkintonrespite.com/html/donations.htm

- Clique na bandeira do cartão de crédito. Você será direcionado para o site do Paypal (não é necessário ter uma conta Paypal para doar).

- No campo "Purpose" informe "Marcio Yatsuda", preencha o valor em "Donation Amount" e clique em "Update Total".

- Preencha os demais campos e clique em "Review donation and continue".

E os treinos? Bom os treinos vão indo, não quero fazer feio no dia (;-D). Estou correndo distâncias que nunca tinha corrido – este fim de semana vou correr 30 km. Coisa de louco mesmo, né?....

É isso aí. Se puderem divulgar essa iniciativa para outras pessoas, agradeço. Um grande abraço a todos. Marcio Yatsuda

sexta-feira, 14 de março de 2008

Nesta semana de aniversários...

... do atentado de Madri em seu quarto aninho: que as pessoas não se esqueçam de que apesar da terrível tragédia, aquele governo à ocasião, alinhado ao de Bush, foi derrotado pelo povo que não aceita o imperialismo estadunidense, graças às revelações alastradas via internet, de informações que teimavam permanecer omitidas pelas fontes oficiais, que insistiam em mentiras que não puderam mais se sustentar diante da gravidade dos fatos.
Agora, infelizmente, é de lamentar que o governo que se sucedeu, como um dos efeitos de toda a cultura de medo instalada pelo mundo e intensificada de diferentes maneiras por toda a comunidade européia, é este que agora provoca seus atentados aos direitos dos cidadãos inocentes e comuns, como os realizados a meros viajantes em sua legítima expressão de ir e vir.
O texto abaixo de Contardo Calligaris*, partilhado pela colega Jimena Risuenho Viana, retrata tão fielmente este momento de amedrontamento geral que tem deixado a todos atônitos, seja pela percepção ou por algum condicionamento ao atual estado das coisas.

É proibido viajar
A modernidade, que começou com a livre circulação, acaba proibindo a viagem
NO EPISÓDIO dos jovens pesquisadores brasileiros barrados em Madri, as autoridades espanholas agiram como se o cônsul-geral do Brasil contasse lorotas para facilitar o trânsito de imigrantes ilegais. O desrespeito justifica a "retaliação" brasileira.
No mais, a cada dia, as fronteiras do mundo (não só do primeiro) barram alguém que tenta viajar, sobretudo se for jovem, solteiro e sem as aparências de uma "vida feita".
Ao atravessar uma fronteira, o passaporte prova que estamos em paz com a Justiça de nosso país. As outras nações devem decidir se somos hóspedes desejáveis. Nas últimas décadas, as "condições" para ser desejável se multiplicaram. Hoje, no caso da Espanha: 1) 70 por dia de permanência planejada; 2) passagem de volta marcada; 3) reserva de hotel, já pago; 4) para quem se hospedar com parentes, formulário preenchido pelos mesmos; 5) quem se desloca para trabalhar deve dispor de um contrato assinado. Normas muito parecidas valem na maioria dos países.
O escândalo é que essas condições podem nos parecer "aceitáveis". Afinal, qualquer Estado quer proteger o emprego de seus cidadãos impedindo a chegada de imigrantes não-autorizados, não é? Pois é, Michel Foucault é mesmo o pensador para os nossos tempos: o sistema social e produtivo dominante ordena nossas vidas furtivamente, convencendo- nos de que não há opressão, mas apenas necessidades "racionais". Se achamos essas regras "aceitáveis", é porque já adotamos a idéia de que, no nosso mundo, só é legítimo ter moradia fixa e profissão estável.
As pessoas com moradia fixa podem, quando elas dispõem dos meios necessários, adquirir uma passagem de ida e volta e sair de seu lar seguindo um programa pré-estabelecido -ou seja, podem ser, ocasionalmente, turistas.
Escárnio: prefere-se que os turistas sejam otários, pagando de antemão. Há uma pousada melhor da que estava prevista? Você quer encurtar a viagem? Pena, você já pagou. Mas isso é o de menos. Importa o seguinte. A modernidade, que começou com a circulação (livre ou forçada) de todos os agentes econômicos, acaba parindo, nem mais nem menos, a proibição da viagem. Como assim? Pois é, viajar não tem nada a ver com férias num resort ou com ser transportado de cidade em cidade para que os cicerones nos mostrem as coisas "memoráveis".
Para começar, viajar é usar uma passagem só de ida.
- Quanto tempo você vai ficar?
- Não faço a menor idéia. Um dia? Três meses? Um ano?
- E você vai para onde?
- Não sei. Talvez eu curta uma pequena enseada, alugue um quarto numa casa de pescadores e fique comendo caranguejos com os pés na areia. Talvez, já no avião ou pelas ruas de Barcelona, eu me apaixone por uma holandesa, um russo ou uma argelina e os siga até o país deles, por uma semana ou um mês.
Se a paixão durar, ficarei por lá.
- E o dinheiro?
- Não sei, meu amigo. Toco violão, posso ganhar um trocado numa esquina ou no metrô. Também posso lavar pratos, ajudar na colheita, cortar lenha, lavar carros e vender pulôveres. E, se a coisa apertar, tenho endereços de parentes e conhecidos que nem sabem que estou viajando, mas não me recusarão uma sopa e um banho quente. Além disso, em Paris, quando fecha o mercado da rua Saint Antoine, sobram na calçada as frutas e as saladas que não foram vendidas; em São Paulo, Londres e Nova York, conheço dezenas de igrejas que oferecem um pão com manteiga; em Varanasi, ao meio dia, distribuem riso com curry e carne aos peregrinos.
Cem anos depois da invenção do passaporte com fotografia, chegamos nisto: uma ordem que só permite se movimentar para consumir férias ou para se relocar segundo os imperativos da produção.
As regras que barram o viajante expressam nossa própria miséria coletiva: perdemos de vez o sentimento de que a vida é uma aventura. Preferimos a vida feita à vida para fazer.
Para quem quiser ler sobre a história da documentação de viagem, uma sugestão: "Invention of the Passport: Surveillance, Citizenship and the State" (invenção do passaporte: vigilância, cidadania e o Estado), de Torpey, Chanuk e Arup (Cambridge University Press).
Para quem quiser viajar, outra sugestão: a mentira, num mundo opressivo, é uma forma aceitável de resistência.

* o autor escreveu este originalmente publicado em 13 de março na Ilustrada.


Este post vai pra gente como o Martinho Motocotó Ribeiro Neto, quem ainda acredito, fará suas viagens sem medo, com as caronas dos caminhoneiros, pois turismo de aventura é isto.
E também pra aniversariante Érica Midori Natsui, que na realidade, viajou pra eternidade, ao menos, enquanto a memória durar. Uma das que ainda tiveram a sorte de viajar bastante e sem medos. Parabéns, que venham muitos aniversários como estes, para se lembrar disto.

terça-feira, 11 de março de 2008

Programa Favelístico

Nestes tempos de tanta gente achando que conhece favela via filmes como Cidade de Deus ou Tropa de Elite, tem outros tantos ainda, que acham que conhecem tais comunidades sendo turistas.
Nossa colega Angela Teberga partilhou conosco essa reportagem que deu no New York Times e vai reproduzida abaixo. E, no embalo, vão outros links sobre o tema, entre os quais este de Bianca Freire-Medeiros, disponível na biblioteca científica Scielo e os das agências operadoras mencionadas: Favela Tour e Reality Tours and Travel
Taí, quem sabe alguém ainda consiga um dia, imprimir nestes locais, o que seja, de fato, o ecoturismo?

Passeio na favela: turismo ou vouyeurismo?

Eric Weiner*

O trabalho de Michael Cronin como funcionário de admissão de alunos na universidade faz com que ele tenha de viajar duas ou três vezes por ano à Índia. Ele já havia visitado os pontos turísticos mais comuns - templos, monumentos, mercados - quando um dia cruzou com um panfleto que divulgava "turismo na favela".

"Aquilo ressoou em mim imediatamente", diz Cronin, que estava hospedado no elegante Taj Hotel em Bombaim, onde, conforme ele próprio notou, uma garrafa de champanhe custa o equivalente a dois anos de salário de muitos indianos. "Mas eu não sabia o que esperar".

Pouco tempo depois, Cronin, 41, já estava desviando de esgotos a céu aberto e se agachando para evitar fios elétricos expostos enquanto passeava pela favela de Dharavi, onde vive mais de um milhão de pessoas. Ele participou de um jogo de críquete e visitou a pequena indústria local, com fábricas de bordado e curtume, que silenciosamente prospera na favela. "Nada é considerado lixo aqui", diz. "Tudo é reutilizado".

Cronin levou um susto quando um homem, "com certeza bêbado", roubou algum dinheiro de seu bolso, mas o passeio de duas horas e meia mudou sua imagem da Índia. "Todo mundo na favela quer trabalhar, e todos querem melhorar a si mesmos", disse.

O turismo em favelas, ou "pobrismo", como é chamado por alguns, está em alta. Das favelas do Rio de Janeiro às "townships" de Johannesburgo, passando pelos lixões do México, os turistas estão trocando, pelo menos por algum tempo, as praias e museus pelas populosas, sujas - e, sob vários aspectos, surpreendentes - favelas. Quando o britânico Chris Way fundou a Reality Tours and Travel em Mumbai há dois anos, mal conseguia reunir clientes para fazer um passeio por dia. Hoje, ele coordena dois ou três passeios diários e recentemente expandiu seu negócio para a zona rural.

Turismo em favelas não é para qualquer um. Os críticos dizem que observar os mais pobres entre os pobres não é turismo. É voyeurismo. Segundo eles, os passeios são uma exploração e não têm vez no itinerário dos viajantes mais éticos.

"Você gostaria que pessoas parassem em frente à porta da sua casa todos os dias, ou duas vezes por dia, tirassem fotos de você e fizessem comentários sobre o seu estilo de vida?", pergunta David Fennell, professor de turismo e meio ambiente na Universidade de Brock, em Ontário. O turismo em favela, diz ele, é apenas mais um nicho que o turismo encontrou para explorar. O objetivo real, ele acredita, é fazer com que os ocidentais do primeiro mundo se sintam melhor em relação à sua situação de vida. "Isso reforça, em minha mente, o quanto eu tenho sorte - ou o quanto eles não têm", diz.

Não é bem assim, dizem os defensores do turismo nas favelas. Ignorar a pobreza não vai fazer com que ela desapareça. "O turismo é uma das poucas maneiras pelas quais eu ou você seremos capazes de entender o que significa a pobreza", diz Harold Goodwin, diretor do Centro Internacional de Responsabilidade no Turismo em Leeds, na Inglaterra. "Simplesmente fechar os olhos e fingir que a pobreza não existe me parece negar nossa humanidade".

A questão mais importante, diz Goodwin e outros especialistas, não é se os passeios nas favelas deveriam existir, mas sim como eles devem ser conduzidos. Eles limitam as excursões a grupos pequenos, que interagem respeitosamente com os moradores? Ou fazem o passeio de ônibus, com os turistas tirando fotos pelas janelas como num safári?

Muitos organizadores de passeios são sensíveis às acusações de exploração. Alguns encorajam - e pelo menos um deles exige - que os participantes tenham um papel ativo em ajudar os moradores. Um grupo ligado à igreja em Mazatlan, no México, organiza passeios ao lixão local, onde as pessoas sobrevivem com o que encontram no meio do lixo, parte dele vindo de um resort de luxo nas proximidades. O grupo não cobra nada, mas pede aos participantes que ajudem a fazer sanduíches ou a encher garrafas com água filtrada. Os passeios se mostraram tão populares que, durante a alta temporada, o grupo tem de recusar participantes. "Vemos nosso trabalho como uma ponte para conectar os turistas ao mundo real", diz Fred Collom, o pastor que coordena os passeios.

Segundo consta, o turismo nas favelas começou no Brasil há 16 anos, quando um jovem chamado Marcelo Armstrong levou alguns turistas para a Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Sua empresa, Favela Tour, cresceu e deu origem a uma meia dúzia de imitadores. Hoje, em qualquer dia no Rio, dezenas de turistas sobem em minivans e motos e se aventuram por lugares em que mesmo a polícia brasileira não tem coragem de pisar. Os organizadores insistem que os passeios são seguros, apesar de sempre checarem as condições de segurança. Luiz Fantozzi, que fundou a empresa carioca Be a Local Tours, diz que pelo menos uma vez por ano ele chega a cancelar um passeio por questões de segurança.

Os passeios podem ser seguros, mas também são tensos. Rajika Bhasin, uma advogada de Nova York, lembra-se de que, em um determinado momento do passeio na favela, o guia disse a todo mundo para parar de tirar fotos. Um jovem se aproximou do grupo, sorrindo e segurando uma arma engatilhada. Bhasin disse que ela não se sentiu exatamente ameaçada, "apenas muito alerta em relação ao ambiente em volta, e consciente do fato de que eu estava no território desse rapaz."

Ainda assim, diz ela, a experiência, que incluiu a visita a algumas galerias que mostravam o trabalho de artistas locais, foi positiva. "Honestamente, posso dizer que foi uma experiência transformadora", disse Bhasin. Apesar de compreender as críticas, ela defende: "Isso tem muito a ver com quem você é e porque está fazendo o passeio".

Chuck Geyer, de Reston, Virgínia, chegou a Mumbai para fazer um passeio armado com lenços sanitários e com a expectativa de ver a miséria humana encarnada. Mas saiu com uma idéia diferente. Em vez de ser abordado por mendigos, Geyer acabou ganhando presentes: frutas e tintura para passar nas mãos e no rosto, uma vez que os moradores celebravam o festival hindu de Holi. "Fiquei chocado com a amistosidade e graciosidade dessas pessoas", diz Geyer.

Os defensores do turismo nas favelas dizem que esse é o ponto: mudar a reputação das favelas, um turista por vez. Os organizadores dos passeios dizem que oferecem empregos para os guias locais e uma chance de vender souvenires. Way prometeu investir 80% de seu lucro na favela de Dharavi.

O problema, entretanto, é que a empresa de Way ainda precisa receber algum lucro com os passeios, pelos quais ele cobra 300 rúpias (cerca de US$ 7,50). Depois de ser atacado pela imprensa indiana ("uma crítica justa", admite Way), ele abriu um centro comunitário na favela com seu próprio dinheiro. O centro oferece aulas de inglês, e o próprio Way coordena um clube de xadrez. Muitos das agências que fazem passeios nas favelas no Brasil também investem parte de seus lucros nas comunidades. Fantozzi contribui com uma escola e uma creche.

Mas o turismo de favela não se restringe a caridade, dizem seus defensores, ele também alimenta um espírito empreendedor. "No início, os turistas eram cercados por mendigos, mas agora não mais", diz Kevin Outterson, um professor de leis de Boston que já fez vários passeios nas favelas. Fantozzi explicou aos moradores, diz Outterson, "que você não vai conseguir nada do meu grupo mendigando, mas se você produzir algo, eles comprarão."

Mesmo os críticos do turismo em favelas admitem que ele permite que alguns dólares circulem nas comunidades, mas dizem que isso não é um substituto para programas de desenvolvimento.

O professor Fennell, de Ontário, imagina se o retorno relativamente insignificante do turismo pode fazer alguma diferença. "Se você está tão preocupado em ajudar essas pessoas, então assine um cheque", diz.

*Eric Weiner é autor do livro "A Geografia da Felicidade: Um rabugento em busca dos lugares mais alegres do mundo"

Tradução: Eloise De Vylder (para texto original deste link)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Pré-carnavalesco

este missivista saiu pros bailes na esperança de encontrar internautas com disposição de mil folias digitais. Esvaziou diversas garrafas e lançou aos mares internéticos. Embriagou-se com o ambiente de Sorocaba e cansou: num desejo megaloetílico achou que este laboratório deve ser, de fato, a galáxia de Gutemberg. Nem que só virtualmente... E o grande problema serão as ressacas.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Imagine: o futuro de nosso turismo rodoviário pode estar aqui

Como conseguir viabilizar projetos alternativos em transporte num ambiente cuja supremacia rodoviária impede soluções mais sustentáveis? A mesma dominação que imprime nas estradas movimento cada vez mais crescente e que pouco preza pela manutenção destas, apesar da privatização das vias mais rentáveis. Ora, ora, quem sabe a equação de número de rodovias consorciadas e quilômetros de vias melhoradas seja mais condizente com a melhor qualidade e maior segurança do fluxo, por mais veículos novos e por mais pedágios de concessionárias que houver e ainda, ao intensificar as interligações dos principais pontos pelo interior do país. E, quem sabe assim, mais gente tenha iniciativas como a do pioneiríssimo Exploranter e possa investir em tecnologias de energia mais limpa, aproveitando as condições climáticas brasileiras. Transformar a corrida pelo ouro da sustentabilidade e garantir, de fato, um lugar ao sol, num rally ambiental. Daí, que possa mesmo alguém por aqui saber criar, através de inovações na forma de transportar cultura e conhecimento, se inspirar também em coisas como o busão do John Lennon - um grande leva e traz da cidadania - e, enfim, mudar um pouco do estagnante paradigma do turismo sob rodas, sobre o chão deste Brasil.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

80 anos de uma viagem

"Ai, que preguiça!" Foi assim que um certo tcc (trabalho de conclusão de curso) em turismo, desfechava sua página de agradecimentos e dedicatórias, há coisa de 12 anos. Tempo de sobra pra se tornar um uísque decente à parte, vamos ao que interessa: a Revista Cult, que figura nos links de Leituras Pré-Per-Pós Viagens, na coluna lateral deste labtour, apresenta esta reportagem sobre Macunaíma, que, no caso, tá mais pruma cachaça cada vez mais deliciosa por estar bem envelhecida.

Nosso Rei Arthur
montipaitoniano
em busca do
Novo Muiraquitã sagrado

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Férias! Em Sorocaba, by footing as well

Luiz Chiozzotto, fotógrafo publicitário brinda aos sorocabanos e simpatizantes com um livro que é refinado presente para o fim de ano. Footing Sorocabano - Passado sorocabano de 1886 a 1957 é documento importante para a história iconográfica do município e deve ser referência básica para quem se interessa por Turismo e o faz, seja como turista ou estudioso, na cidade. Não há muito mais o que falar. A idéia é ver. E fazê-lo, preferencialmente, como nas caminhadas, degustando a paisagem com sentidos aguçados. E para ler mais sobre obra e autor: no Diário de Sorocaba ou no Cruzeiro do Sul.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Festão

Engenheiros, só os da produção e da florestal. Do Hawaii, é só se juntar à turma do Bob Esponja e "basta usar a imaginação!" A festa tá a alohas milhas de distância das JAWS e a praia mais próxima é Suarão, então o lance é desencanar e se ufscanar na segunda edição do evento que pegou e vai fazer muita história em Sorocaba. O Rodrigo Santoro não virá, mas a alunada promete que a coisa vai ficar digna de LOST. E, desta vez, a turma da calourada 2007 do turismo dá todo suporte pro evento surfar uma big wave memorável. Então, 06/12/07. É vir&ver. O Sítio Beija-Flor vai virar mar: turismólogas, biólogas, engenheiras dão as boas-vindas à ilha da fantasia. E o Tatu vai gritar: "avião, avião!"
UFSCana e adrenalina, renguiluzi, ulahula, uhuuuu!

Aproveitando a praia, ainda que sem jabá algum: não é Waikiki, Waimea, nenhum pico em Fernando de Noronha mas é Paraty - "O que você pode fazer no seu dia-a-dia para contribuir com a biodiversidade no planeta?"