Origem: qualquer uma. Destino: Utopia via corredor (Inter)plaNETário.
Elemento comunicacional de peregrinação por conteúdos em Turismo. Balão de Ensaios e de Viagens. Tradições e contradições em webscapes e outras paisagens.
Source: https://uk.finance.yahoo.com/news/tourism-eating-world-113004114.html
(Bloomberg Opinion) -- In 1953, mountaineers Tenzing Norgay and Edmund Hillary made the first confirmed summiting of Mount Everest, the world’s highest peak. Recently, Everest has grown so popular that photos are surfacing showing huge lines of climbers waiting to surmount that same peak. On rarefied ground where once only Norgay and Hillary tread, now climbers are dying because of overcrowding.
A less dramatic version of this scene is being played out around the world -- for both good and ill. The number of international tourist arrivals has been increasing more or less exponentially since the mid-20th century, and totaled about 1.4 billion in 2018. Europe has seen the biggest share, but the Asia-Pacific region is growing fast:
This growth has been driven by a confluence of factors. Most obviously, disposable incomes have grown around the world, with China’s gains being especially impressive in recent years. People are living longer and having fewer children, giving them the time and freedom to travel more. Areas that were once off-limits, now are accessible as the world has generally become a more peaceful and open since the end of the Cold War.
Technology has also played a key role. Air travel is cheap and ubiquitous. Tickets, hotels, tours and local transportation can now be booked online. The internet has also given the masses information about the world's tourist destinations, from Japanese hot springs to California wine country to Iceland's glaciers. Recently, Google Maps has made it much easier to find one’s way around a strange country, translation apps have made foreign-language communication less daunting, Uber offers easy transportation in many international cities and Airbnb has expanded the range of available accommodations.
Tourism is big business for the countries that manage to attract hordes of visitors. Direct receipts from tourism totaled $1.6 trillion in 2017, or 2% of the entire world economy:
The World Travel and Tourism council estimates that the amount of economic activity attributable to the sector is much larger, reaching $8.8 trillion in 2018, and supporting as much as 10% of all jobs on the planet.
But tourism has a down side as well. As the Everest example shows, travel to the most popular destinations is subject to what economists call congestion externalities -- when you go to a famous place, your presence makes the experience just a little less convenient and comfortable for everyone else. Multiply that effect by the millions, and the world’s tourists are crowding each other out of a good time. I felt this myself when I recently went to Golden Gai, a bar district that used to be one of Tokyo’s hidden gems, and found that it was packed with Western and Chinese tourists.
For cities, the experience can be even more harrowing. Even as tourist dollars flow into the coffers of local businesses, mobs of travelers strain infrastructure that was never built to handle so many human bodies. If a city tries to accommodate the inflow by building large amounts of new infrastructure, those streets and trains will sit empty during the off season, or if the city loses its tourist appeal. Travelers can be accommodated with Airbnb, but this can push up rents for locals. Logistically, it’s simply inefficient for every location in the world to always be prepared to house, feed and transport many more people than actually live there.
These problems are only going to get worse, as more countries in Asia, Africa and elsewhere join the ranks of developed countries. The new middle classes of India, Bangladesh and Indonesia are going to want their chance to see the Swiss Alps, the canals of Venice and the lights of Times Square.
Unfortunately, there will come a point where over-tourism makes travel both logistically inconvenient and much less enjoyable for everyone. The problem can be ameliorated by spreading tourists around to less crowded destinations, as Japan is trying to do. Some destinations, like Amsterdam, are cutting back on advertising and self-promotion. But eventually there will be no choice but to start charging tourists a fee.
A few places are already trying this. Venice will soon start charging people to come to the city for day trips. New Zealand has introduced a tourist tax. Various other European countries and cities have implemented or plan to implement taxes on hotels and other overnight accommodation. This is a simple application of congestion pricing, the textbook economics solution to the problem of overcrowding.
The inevitable rise of congestion pricing will be bad news for the emerging global middle class. It means that the dream of cheap globetrotting will never be for everyone -- at least, not if you want to go to famous places. Trips to premium destinations such as Venice will eventually become things only the well-off can afford. There will be more tourists than in the age before air travel and the internet, but tourism may never become as ubiquitous a middle-class luxury as sliced bread or automobiles.
Talvez estejamos cada vez mais privados de prestar uma simples reverência aos nossos entes queridos, repousados em cemitérios de outra parte da cidade ou até mesmo mais distantes, mais pela questão de inanição da política de mobilidade do que de nossas práticas culturais.
Cemitérios precisavam ser mais destinações de culto e de respeito a algum passado mas parece que o gargalo está na nossa cada vez maior restrição em resolver as questões cotidianas presencialmente e adotarmos o relacionamento a distância mais pelas dificuldades impostas nas configurações em que temos opções de meios de transporte, vias e seus custos que da nossa simples vontade de se locomover.
Cemitérios e seus enterrados tem esse simbolismo de nos avisar que a parada final é lá mas que não necessarimente tenhamos que estar lá só no derradeiro momento. Um lugar, qualquer lugar para contemplação, da paisagem, das passagens e narrativas que não somente o repositório de nossos mortos. A inação para revertermos nosso direito de ir e vir com mais fluidez e economia como deveria ser tal concessão, é que acabará nos levando mais rapidamente para esse terminal, sem o usufruto enquanto vivos, desse importante ritual de rememorar nossos pedaços de história.
Quando forem propor um "Projeto" turístico, tomem esse exemplo: apenas não subestimem a força da rede, caso seja uma ideia mais mirabolante sem muita chances de se concretizar, sugira um número 3 vezes maior, pois aqui, para ilustrar, 1 milhão de visualizações foi num instante...
Apenas para constar mais atualizado, quando este post for publicado, quase 2 milhões e 500 mil views, já deverão ter acontecido...
Saibam da proposta aqui.
Diz a fonte que já são dois anos nas estradas... só alcancei alguma parte dessas agorinha... vai aqui, na viajada da Andira Medeiros . Ainda não (ou)vi sexo nem rock and roll. Mas é só o começo...
Todavia, nossos estilos de viagem são diferentes. Não sou turista de férias. Sou turista que quer ser nativo. Sou turista que quer passar perrengue e aprender a viver como os locais vivem.
Você, eu, animais humanos, nós que praticamos como nenhum outro, atos de deterioração ambiental involuntariamente ou deliberadamente, desinformados das consequências ou dolosamente decididos. Essa nossa exclusiva racionalidade, impondo-se sobre os demais seres e sobretudo, refletindo-se em nós mesmos.
Turismo é um exercício de consciência, dizem. É um constante enxergar nos outros, nossa individualidade, nossa cultura peculiar. òbvio, se quisermos.
Façamos da prática turística, também uma ferramenta de denúncia e de minimização de atrocidades, às quais cedo ou tarde ainda tocarão nossos próprios lares.
A boredpanda está promovendo uma lista com 22 imagens sobre os impactos de nossas pegadas consumidoras sobre o planeta. Inscrições de novas imagens ainda estão em curso. É questão de clicar neste PANDA.
A imagem aqui é creditada ao perfil de morningclaire, aparentemente, alguém que responde sob a alcunha de Molly Smith: paisagem da baía de Hong Kong tipicamente enevoada por poluentes que impossibilitam melhor visualização do horizonte. Daí que a solução turística vêm igualmente prática e cínica. Mas nesse devorar de cenas, quem se importa? A maioria dos turistas sai sorridente e o tempo bom é garantido...
Quer estudar mesmo turismo? Procurem pela Débora Braga. Estudou graduação, pós-graduação, é turismóloga ecana, docente do curso de Turismo da ECA/USP. A próxima Fuvest é só daqui a uns 200 dias. Não diga que não dá tempo...
Entrevista Memórias Ecanas
Deu no Neuiorquetaimis... pode falar, é coisa de doido... o próprio Zero Freitas admite que faz 40 anos de terapia pra se entender... enquanto isso, não para de catalogar com uma dúzia de empregados, seu bem bem longe de modesto acervo que pensa conseguir organizar em uns 20 anos... isso se não parar de comprar discos, por todo mundo, com ajuda de uma vida empresarial bem sucedida no ramo busoviário e uma meia dúzia de outros contatos que trabalham para ele no exterior, só pra arrematar conteiners de vinis que rumam para endereço certo na capital paulista: a futura Emporium Music.
Allan Bastos, um desses compradores recrutados por Zero foi quem de uma forma ou de outra acabou dando um empurrãozinho nessa decisão de transformar o caos vinílico privado em um algo ainda porvir, que deverá ser tal Empório, inspirado nos moldes do que um outro colecionador, Bob George, que além de organizador do Brazilian World Music Day, concebeu com o Archive of Contemporary Music.
Algo que é bonito nesta estória toda , é que existe todo um lado museológico a se explorar e todo um patrimônio artístico e cultural inestimável que está preservado e poderá ser resgatado e partilhado com a humanidade
Bastos was warning of a future in which some music might disappear
unnoticed. Most of the American and British records Freitas has
collected have already been digitally preserved. But in countries like Brazil, Cuba and Nigeria, Bastos estimated, up to 80
percent of recorded music from the mid-20th century has never been
transferred. In many places, he said, vinyl is it, and it’s increasingly
hard to find. Freitas slumped, then covered his face with his hands and
emitted a low, rumbling groan. “It’s very important to save this,” he
said. “Very important.”
E, enfim, cheque detalhes dessa estória, no link acima, na íntegra e no original, na revista do New York Times, em artigo de Monte Reel, entitulado
The Brazilian Bus Magnate Who’s Buying Up All the World’s Vinyl Records
To help him locate records in
his personal collection, Freitas uses objects like “Star Wars” cards
(Disney LPs) and a Heineken bottle (soccer LPs).Credit
Sebastián Liste/Noor, for The New York Times “What’s the good of having it,” George remembers telling Freitas, “if you can’t do something with it or share it?”
Vai ano, vem seguinte e entra ou sai ou volta governos... e a história continua... a mesma...
Aqui, mais um pouco desta, pela atual diretora executiva da Fundação S.O.S. Mata Atlântica, Marcia Hirota, copiada a seguir e que pode ser lida reproduzido do que originalmente publicado pela Valor, neste link
Ou através do site da Envolverde nesta página.
Com 3.953 hectares de área, o Parque protege fragmentos do bioma Mata
Atlântica essenciais para a cidade, sendo responsável pela oferta de
diversos serviços ambientais, como a manutenção do manancial hídrico,
controle da erosão e redução da poluição atmosférica, além de manter a
rica biodiversidade local. Ao mesmo tempo, é um polo de turismo
sustentável e uma importante área de lazer. O exemplo do Parque Nacional da Tijuca é ainda um ponto fora
da curva na realidade dos parques brasileiros. Atualmente, dos quase 70
parques nacionais existentes no país, apenas 26 estão abertos à
visitação e só 18 possuem infraestrutura mínima. Em 2012, esses parques
tiveram 5,3 milhões de visitantes e arrecadaram quase R$ 27 milhões com a
venda de ingressos, sendo que pouco mais de 3 milhões de visitas
ocorreram somente nos Parques Nacionais da Tijuca e do Iguaçu (PR),
sendo este segundo um exemplo emblemático da desvalorização dos nossos
parques.
O Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas do Iguaçu,
patrimônio natural da humanidade, é o segundo mais visitado do Brasil e
está gravemente ameaçado por um Projeto de Lei (N.º 7.123) em tramitação
no Congresso Nacional que busca alterar o Sistema Nacional de Unidades
de Conservação (SNUC) para permitir a reabertura de uma antiga estrada
que cortava o Parque, fechada em 2003 por decisão judicial. Há ainda os
impactos de uma hidroelétrica nos limites desse parque.
Estudo realizado por cientistas da Universidade Federal de Pernambuco
e do Imazon, apresentado em abril na publicação científica Conservation Biology,
indica que nas últimas três décadas o Brasil perdeu 5,2 milhões de
hectares de florestas nativas que eram protegidas por Lei, área
equivalente ao território da Costa Rica.
Com isso, além da perda de patrimônio público, o país desperdiça
oportunidades de ativar a economia nacional, fomentar iniciativas para
promover o desenvolvimento regional por meio de atividades sustentáveis
ou ligadas ao turismo que poderiam gerar mais trabalho e melhorar a
distribuição de renda, contribuindo para a inclusão social.
Um ótimo exemplo desse potencial é o Parque Nacional da Serra da
Capivara, localizado no sudeste do Estado do Piauí e que recebe turistas
de todo o mundo interessados em conhecer sítios arqueológicos que
preservam centenas de pinturas rupestres. Quem visita o Parque descobre
também uma das melhores infraestruturas do país, fruto do trabalho de
quatro décadas da pesquisadora e arqueóloga Niéde Guidon. São mais de
400 km de estradas internas com drenagem, pavimentação nos trechos mais
complicados, centenas de sítios arqueológicos preparados para visitação
com passarelas e rampas de acesso, iluminação, sinalização bilíngue e
coletores de lixo, entre outros.
O trabalho da doutora Niéde e sua equipe da Fundação Museu do Homem
Americano tem revolucionado as teorias de ocupação das Américas,
conquistando prêmios e reconhecimento internacionais. Impressionante
também o impacto na realidade das comunidades do entorno do parque:
escolas de tempo integral foram construídas para atender às crianças da
região, incluindo alimentação e tratamento dentário. Técnicas de
apicultura e produção de cerâmica foram repassadas aos jovens. As
mulheres, que antes dependiam dos maridos, passaram a ocupar vagas nas
mais diversas atividades oferecidas pelo Parque.
Na cidade de São Raimundo Nonato, com cerca de 35 mil habitantes, foi
construído o “Museu do Homem Americano”, comparável aos melhores do
mundo nessa área, o Centro Cultural Sérgio Motta, que conta com
laboratórios onde pesquisadores de diversas partes do mundo e moradores
locais trabalham e um campus da Universidade Federal do Vale do São
Francisco, com o primeiro curso público de graduação em arqueologia do
Brasil. A notícia ruim é que todas essas conquistas estão hoje ameaçadas
pela falta de investimentos públicos, necessários para manter a
estrutura implantada. Um hotel 6 estrelas, nos moldes do que existe na
África do Sul, já teve também seu projeto aprovado, mas ainda não saiu
do papel pela falta de conclusão de um aeroporto, em obras há mais de 10
anos.
Segundo a Organização Mundial do Turismo, o turismo de natureza é o
segmento que mais cresce no mundo, entre 15% e 25% no ano. No entanto, o
Brasil, potência ambiental com beleza paisagística incrível, pouco
aproveita. Recente pesquisa do Instituto Semeia avaliou
o potencial econômico das Unidades de Conservação brasileiras e
constatou que o uso turístico dessas áreas poderia gerar uma receita de
até R$ 168 bilhões em dez anos. Comparar essa receita com o PIB nacional
(R$ 5,2 trilhões) pode, à primeira vista, sugerir que o potencial é
pequeno. Trata-se contudo de uma conclusão equivocada. Nos EUA, por
exemplo, 70% da visitação está concentrada em 20% dos parques preferidos
pelo público. Supondo que no caso brasileiro 70% da receita adicional
potencial desses 168 bilhões também seja concentrada no primeiro quintil
das regiões ordenadas pelo turismo, o impacto médio sobre o PIB desses
locais é bastante expressivo, da ordem de 3,5%.
Os Parques Nacionais realmente estão abandonados num contexto de uma
agenda de país. O Brasil precisa reconhecer as Unidades de Conservação
como o seu maior ativo e priorizar novos mecanismos e recursos aos
patrimônios existentes para que o País também se fortaleça como destino
turístico. Hoje, nem os brasileiros nem visitantes estrangeiros podem
usufruir adequadamente dessas riquezas.
- See more at: http://www.sosma.org.br/90197/chances-inexploradas-nos-parques-brasileiros/#sthash.F45OMS2n.dpuf
O Cristo Redentor é uma das sete maravilhas do mundo moderno, um
símbolo do Brasil no exterior e a atração turística mais conhecida do
Rio de Janeiro. Do alto da Floresta da Tijuca, o que pouca gente sabe é
que o Corcovado, onde fica o Cristo, está dentro de uma Unidade de
Conservação (UC), o Parque Nacional da Tijuca, referência do potencial
turístico dos Parques Nacionais do País, com mais de 2 milhões de
visitas por ano. Com 3.953 hectares de área, o Parque protege fragmentos do bioma Mata
Atlântica essenciais para a cidade, sendo responsável pela oferta de
diversos serviços ambientais, como a manutenção do manancial hídrico,
controle da erosão e redução da poluição atmosférica, além de manter a
rica biodiversidade local. Ao mesmo tempo, é um polo de turismo
sustentável e uma importante área de lazer. O exemplo do Parque Nacional da Tijuca é ainda um ponto fora da curva
na realidade dos parques brasileiros. Atualmente, dos quase 70 parques
nacionais existentes no país, apenas 26 estão abertos à visitação e só
18 possuem infraestrutura mínima. Em 2012, esses parques tiveram 5,3
milhões de visitantes e arrecadaram quase R$ 27 milhões com a venda de
ingressos, sendo que pouco mais de 3 milhões de visitas ocorreram
somente nos Parques Nacionais da Tijuca e do Iguaçu (PR), sendo este
segundo um exemplo emblemático da desvalorização dos nossos parques. O Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas do Iguaçu,
patrimônio natural da humanidade, é o segundo mais visitado do Brasil e
está gravemente ameaçado por um Projeto de Lei (N.º 7.123) em tramitação
no Congresso Nacional que busca alterar o Sistema Nacional de Unidades
de Conservação (SNUC) para permitir a reabertura de uma antiga estrada
que cortava o Parque, fechada em 2003 por decisão judicial. Há ainda os
impactos de uma hidroelétrica nos limites desse parque. Estudo realizado por cientistas da Universidade Federal de Pernambuco
e do Imazon, apresentado em abril na publicação científica Conservation
Biology, indica que nas últimas três décadas o Brasil perdeu 5,2
milhões de hectares de florestas nativas que eram protegidas por Lei,
área equivalente ao território da Costa Rica.
Com isso, além da perda de patrimônio público, o país desperdiça
oportunidades de ativar a economia nacional, fomentar iniciativas para
promover o desenvolvimento regional por meio de atividades sustentáveis
ou ligadas ao turismo que poderiam gerar mais trabalho e melhorar a
distribuição de renda, contribuindo para a inclusão social. Um ótimo exemplo desse potencial é o Parque Nacional da Serra da
Capivara, localizado no sudeste do Estado do Piauí e que recebe turistas
de todo o mundo interessados em conhecer sítios arqueológicos que
preservam centenas de pinturas rupestres. Quem visita o Parque descobre
também uma das melhores infraestruturas do país, fruto do trabalho de
quatro décadas da pesquisadora e arqueóloga Niéde Guidon. São mais de
400 km de estradas internas com drenagem, pavimentação nos trechos mais
complicados, centenas de sítios arqueológicos preparados para visitação
com passarelas e rampas de acesso, iluminação, sinalização bilíngue e
coletores de lixo, entre outros. O trabalho da doutora Niéde e sua equipe da Fundação Museu do Homem
Americano tem revolucionado as teorias de ocupação das Américas,
conquistando prêmios e reconhecimento internacionais. Impressionante
também o impacto na realidade das comunidades do entorno do parque:
escolas de tempo integral foram construídas para atender às crianças da
região, incluindo alimentação e tratamento dentário. Técnicas de
apicultura e produção de cerâmica foram repassadas aos jovens. As
mulheres, que antes dependiam dos maridos, passaram a ocupar vagas nas
mais diversas atividades oferecidas pelo Parque. Na cidade de São Raimundo Nonato, com cerca de 35 mil habitantes, foi
construído o “Museu do Homem Americano”, comparável aos melhores do
mundo nessa área, o Centro Cultural Sérgio Motta, que conta com
laboratórios onde pesquisadores de diversas partes do mundo e moradores
locais trabalham e um campus da Universidade Federal do Vale do São
Francisco, com o primeiro curso público de graduação em arqueologia do
Brasil. A notícia ruim é que todas essas conquistas estão hoje ameaçadas
pela falta de investimentos públicos, necessários para manter a
estrutura implantada. Um hotel 6 estrelas, nos moldes do que existe na
África do Sul, já teve também seu projeto aprovado, mas ainda não saiu
do papel pela falta de conclusão de um aeroporto, em obras há mais de 10
anos. Segundo a Organização Mundial do Turismo, o turismo de natureza é o
segmento que mais cresce no mundo, entre 15% e 25% no ano. No entanto, o
Brasil, potência ambiental com beleza paisagística incrível, pouco
aproveita. Recente pesquisa do Instituto Semeia avaliou o potencial econômico
das Unidades de Conservação brasileiras e constatou que o uso turístico
dessas áreas poderia gerar uma receita de até R$ 168 bilhões em dez
anos. Comparar essa receita com o PIB nacional (R$ 5,2 trilhões) pode, à
primeira vista, sugerir que o potencial é pequeno.
Trata-se contudo de uma conclusão equivocada. Nos EUA, por exemplo, 70%
da visitação está concentrada em 20% dos parques preferidos pelo
público. Supondo que no caso brasileiro 70% da receita adicional
potencial desses 168 bilhões também seja concentrada no primeiro quintil
das regiões ordenadas pelo turismo, o impacto médio sobre o PIB desses
locais é bastante expressivo, da ordem de 3,5%. Os Parques Nacionais realmente estão abandonados num contexto de uma
agenda de país. O Brasil precisa reconhecer as Unidades de Conservação
como o seu maior ativo e priorizar novos mecanismos e recursos aos
patrimônios existentes para que o País também se fortaleça como destino
turístico. Hoje, nem os brasileiros nem visitantes estrangeiros podem
usufruir adequadamente dessas riquezas.
O
Cristo Redentor é uma das sete maravilhas do mundo moderno, um símbolo
do Brasil no exterior e a atração turística mais conhecida do Rio de
Janeiro. Do alto da Floresta da Tijuca, o que pouca gente sabe é que o
Corcovado, onde fica o Cristo, está dentro de uma Unidade de Conservação
(UC), o Parque Nacional da Tijuca, referência do potencial turístico
dos Parques Nacionais do País, com mais de 2 milhões de visitas por ano.
Com 3.953 hectares de área, o Parque protege fragmentos do bioma Mata
Atlântica essenciais para a cidade, sendo responsável pela oferta de
diversos serviços ambientais, como a manutenção do manancial hídrico,
controle da erosão e redução da poluição atmosférica, além de manter a
rica biodiversidade local. Ao mesmo tempo, é um polo de turismo
sustentável e uma importante área de lazer. O exemplo do Parque Nacional da Tijuca é ainda um ponto fora
da curva na realidade dos parques brasileiros. Atualmente, dos quase 70
parques nacionais existentes no país, apenas 26 estão abertos à
visitação e só 18 possuem infraestrutura mínima. Em 2012, esses parques
tiveram 5,3 milhões de visitantes e arrecadaram quase R$ 27 milhões com a
venda de ingressos, sendo que pouco mais de 3 milhões de visitas
ocorreram somente nos Parques Nacionais da Tijuca e do Iguaçu (PR),
sendo este segundo um exemplo emblemático da desvalorização dos nossos
parques.
O Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas do Iguaçu,
patrimônio natural da humanidade, é o segundo mais visitado do Brasil e
está gravemente ameaçado por um Projeto de Lei (N.º 7.123) em tramitação
no Congresso Nacional que busca alterar o Sistema Nacional de Unidades
de Conservação (SNUC) para permitir a reabertura de uma antiga estrada
que cortava o Parque, fechada em 2003 por decisão judicial. Há ainda os
impactos de uma hidroelétrica nos limites desse parque.
Estudo realizado por cientistas da Universidade Federal de Pernambuco
e do Imazon, apresentado em abril na publicação científica Conservation Biology,
indica que nas últimas três décadas o Brasil perdeu 5,2 milhões de
hectares de florestas nativas que eram protegidas por Lei, área
equivalente ao território da Costa Rica.
Com isso, além da perda de patrimônio público, o país desperdiça
oportunidades de ativar a economia nacional, fomentar iniciativas para
promover o desenvolvimento regional por meio de atividades sustentáveis
ou ligadas ao turismo que poderiam gerar mais trabalho e melhorar a
distribuição de renda, contribuindo para a inclusão social.
Um ótimo exemplo desse potencial é o Parque Nacional da Serra da
Capivara, localizado no sudeste do Estado do Piauí e que recebe turistas
de todo o mundo interessados em conhecer sítios arqueológicos que
preservam centenas de pinturas rupestres. Quem visita o Parque descobre
também uma das melhores infraestruturas do país, fruto do trabalho de
quatro décadas da pesquisadora e arqueóloga Niéde Guidon. São mais de
400 km de estradas internas com drenagem, pavimentação nos trechos mais
complicados, centenas de sítios arqueológicos preparados para visitação
com passarelas e rampas de acesso, iluminação, sinalização bilíngue e
coletores de lixo, entre outros.
O trabalho da doutora Niéde e sua equipe da Fundação Museu do Homem
Americano tem revolucionado as teorias de ocupação das Américas,
conquistando prêmios e reconhecimento internacionais. Impressionante
também o impacto na realidade das comunidades do entorno do parque:
escolas de tempo integral foram construídas para atender às crianças da
região, incluindo alimentação e tratamento dentário. Técnicas de
apicultura e produção de cerâmica foram repassadas aos jovens. As
mulheres, que antes dependiam dos maridos, passaram a ocupar vagas nas
mais diversas atividades oferecidas pelo Parque.
Na cidade de São Raimundo Nonato, com cerca de 35 mil habitantes, foi
construído o “Museu do Homem Americano”, comparável aos melhores do
mundo nessa área, o Centro Cultural Sérgio Motta, que conta com
laboratórios onde pesquisadores de diversas partes do mundo e moradores
locais trabalham e um campus da Universidade Federal do Vale do São
Francisco, com o primeiro curso público de graduação em arqueologia do
Brasil. A notícia ruim é que todas essas conquistas estão hoje ameaçadas
pela falta de investimentos públicos, necessários para manter a
estrutura implantada. Um hotel 6 estrelas, nos moldes do que existe na
África do Sul, já teve também seu projeto aprovado, mas ainda não saiu
do papel pela falta de conclusão de um aeroporto, em obras há mais de 10
anos.
Segundo a Organização Mundial do Turismo, o turismo de natureza é o
segmento que mais cresce no mundo, entre 15% e 25% no ano. No entanto, o
Brasil, potência ambiental com beleza paisagística incrível, pouco
aproveita. Recente pesquisa do Instituto Semeia avaliou
o potencial econômico das Unidades de Conservação brasileiras e
constatou que o uso turístico dessas áreas poderia gerar uma receita de
até R$ 168 bilhões em dez anos. Comparar essa receita com o PIB nacional
(R$ 5,2 trilhões) pode, à primeira vista, sugerir que o potencial é
pequeno. Trata-se contudo de uma conclusão equivocada. Nos EUA, por
exemplo, 70% da visitação está concentrada em 20% dos parques preferidos
pelo público. Supondo que no caso brasileiro 70% da receita adicional
potencial desses 168 bilhões também seja concentrada no primeiro quintil
das regiões ordenadas pelo turismo, o impacto médio sobre o PIB desses
locais é bastante expressivo, da ordem de 3,5%.
Os Parques Nacionais realmente estão abandonados num contexto de uma
agenda de país. O Brasil precisa reconhecer as Unidades de Conservação
como o seu maior ativo e priorizar novos mecanismos e recursos aos
patrimônios existentes para que o País também se fortaleça como destino
turístico. Hoje, nem os brasileiros nem visitantes estrangeiros podem
usufruir adequadamente dessas riquezas.
- See more at: http://www.sosma.org.br/90197/chances-inexploradas-nos-parques-brasileiros/#sthash.F45OMS2n.dpuf
O
Cristo Redentor é uma das sete maravilhas do mundo moderno, um símbolo
do Brasil no exterior e a atração turística mais conhecida do Rio de
Janeiro. Do alto da Floresta da Tijuca, o que pouca gente sabe é que o
Corcovado, onde fica o Cristo, está dentro de uma Unidade de Conservação
(UC), o Parque Nacional da Tijuca, referência do potencial turístico
dos Parques Nacionais do País, com mais de 2 milhões de visitas por ano.
Com 3.953 hectares de área, o Parque protege fragmentos do bioma Mata
Atlântica essenciais para a cidade, sendo responsável pela oferta de
diversos serviços ambientais, como a manutenção do manancial hídrico,
controle da erosão e redução da poluição atmosférica, além de manter a
rica biodiversidade local. Ao mesmo tempo, é um polo de turismo
sustentável e uma importante área de lazer. O exemplo do Parque Nacional da Tijuca é ainda um ponto fora
da curva na realidade dos parques brasileiros. Atualmente, dos quase 70
parques nacionais existentes no país, apenas 26 estão abertos à
visitação e só 18 possuem infraestrutura mínima. Em 2012, esses parques
tiveram 5,3 milhões de visitantes e arrecadaram quase R$ 27 milhões com a
venda de ingressos, sendo que pouco mais de 3 milhões de visitas
ocorreram somente nos Parques Nacionais da Tijuca e do Iguaçu (PR),
sendo este segundo um exemplo emblemático da desvalorização dos nossos
parques.
O Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas do Iguaçu,
patrimônio natural da humanidade, é o segundo mais visitado do Brasil e
está gravemente ameaçado por um Projeto de Lei (N.º 7.123) em tramitação
no Congresso Nacional que busca alterar o Sistema Nacional de Unidades
de Conservação (SNUC) para permitir a reabertura de uma antiga estrada
que cortava o Parque, fechada em 2003 por decisão judicial. Há ainda os
impactos de uma hidroelétrica nos limites desse parque.
Estudo realizado por cientistas da Universidade Federal de Pernambuco
e do Imazon, apresentado em abril na publicação científica Conservation Biology,
indica que nas últimas três décadas o Brasil perdeu 5,2 milhões de
hectares de florestas nativas que eram protegidas por Lei, área
equivalente ao território da Costa Rica.
Com isso, além da perda de patrimônio público, o país desperdiça
oportunidades de ativar a economia nacional, fomentar iniciativas para
promover o desenvolvimento regional por meio de atividades sustentáveis
ou ligadas ao turismo que poderiam gerar mais trabalho e melhorar a
distribuição de renda, contribuindo para a inclusão social.
Um ótimo exemplo desse potencial é o Parque Nacional da Serra da
Capivara, localizado no sudeste do Estado do Piauí e que recebe turistas
de todo o mundo interessados em conhecer sítios arqueológicos que
preservam centenas de pinturas rupestres. Quem visita o Parque descobre
também uma das melhores infraestruturas do país, fruto do trabalho de
quatro décadas da pesquisadora e arqueóloga Niéde Guidon. São mais de
400 km de estradas internas com drenagem, pavimentação nos trechos mais
complicados, centenas de sítios arqueológicos preparados para visitação
com passarelas e rampas de acesso, iluminação, sinalização bilíngue e
coletores de lixo, entre outros.
O trabalho da doutora Niéde e sua equipe da Fundação Museu do Homem
Americano tem revolucionado as teorias de ocupação das Américas,
conquistando prêmios e reconhecimento internacionais. Impressionante
também o impacto na realidade das comunidades do entorno do parque:
escolas de tempo integral foram construídas para atender às crianças da
região, incluindo alimentação e tratamento dentário. Técnicas de
apicultura e produção de cerâmica foram repassadas aos jovens. As
mulheres, que antes dependiam dos maridos, passaram a ocupar vagas nas
mais diversas atividades oferecidas pelo Parque.
Na cidade de São Raimundo Nonato, com cerca de 35 mil habitantes, foi
construído o “Museu do Homem Americano”, comparável aos melhores do
mundo nessa área, o Centro Cultural Sérgio Motta, que conta com
laboratórios onde pesquisadores de diversas partes do mundo e moradores
locais trabalham e um campus da Universidade Federal do Vale do São
Francisco, com o primeiro curso público de graduação em arqueologia do
Brasil. A notícia ruim é que todas essas conquistas estão hoje ameaçadas
pela falta de investimentos públicos, necessários para manter a
estrutura implantada. Um hotel 6 estrelas, nos moldes do que existe na
África do Sul, já teve também seu projeto aprovado, mas ainda não saiu
do papel pela falta de conclusão de um aeroporto, em obras há mais de 10
anos.
Segundo a Organização Mundial do Turismo, o turismo de natureza é o
segmento que mais cresce no mundo, entre 15% e 25% no ano. No entanto, o
Brasil, potência ambiental com beleza paisagística incrível, pouco
aproveita. Recente pesquisa do Instituto Semeia avaliou
o potencial econômico das Unidades de Conservação brasileiras e
constatou que o uso turístico dessas áreas poderia gerar uma receita de
até R$ 168 bilhões em dez anos. Comparar essa receita com o PIB nacional
(R$ 5,2 trilhões) pode, à primeira vista, sugerir que o potencial é
pequeno. Trata-se contudo de uma conclusão equivocada. Nos EUA, por
exemplo, 70% da visitação está concentrada em 20% dos parques preferidos
pelo público. Supondo que no caso brasileiro 70% da receita adicional
potencial desses 168 bilhões também seja concentrada no primeiro quintil
das regiões ordenadas pelo turismo, o impacto médio sobre o PIB desses
locais é bastante expressivo, da ordem de 3,5%.
Os Parques Nacionais realmente estão abandonados num contexto de uma
agenda de país. O Brasil precisa reconhecer as Unidades de Conservação
como o seu maior ativo e priorizar novos mecanismos e recursos aos
patrimônios existentes para que o País também se fortaleça como destino
turístico. Hoje, nem os brasileiros nem visitantes estrangeiros podem
usufruir adequadamente dessas riquezas.
- See more at: http://www.sosma.org.br/90197/chances-inexploradas-nos-parques-brasileiros/#sthash.F45OMS2n.dpuf
O
Cristo Redentor é uma das sete maravilhas do mundo moderno, um símbolo
do Brasil no exterior e a atração turística mais conhecida do Rio de
Janeiro. Do alto da Floresta da Tijuca, o que pouca gente sabe é que o
Corcovado, onde fica o Cristo, está dentro de uma Unidade de Conservação
(UC), o Parque Nacional da Tijuca, referência do potencial turístico
dos Parques Nacionais do País, com mais de 2 milhões de visitas por ano.
Com 3.953 hectares de área, o Parque protege fragmentos do bioma Mata
Atlântica essenciais para a cidade, sendo responsável pela oferta de
diversos serviços ambientais, como a manutenção do manancial hídrico,
controle da erosão e redução da poluição atmosférica, além de manter a
rica biodiversidade local. Ao mesmo tempo, é um polo de turismo
sustentável e uma importante área de lazer. O exemplo do Parque Nacional da Tijuca é ainda um ponto fora
da curva na realidade dos parques brasileiros. Atualmente, dos quase 70
parques nacionais existentes no país, apenas 26 estão abertos à
visitação e só 18 possuem infraestrutura mínima. Em 2012, esses parques
tiveram 5,3 milhões de visitantes e arrecadaram quase R$ 27 milhões com a
venda de ingressos, sendo que pouco mais de 3 milhões de visitas
ocorreram somente nos Parques Nacionais da Tijuca e do Iguaçu (PR),
sendo este segundo um exemplo emblemático da desvalorização dos nossos
parques.
O Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas do Iguaçu,
patrimônio natural da humanidade, é o segundo mais visitado do Brasil e
está gravemente ameaçado por um Projeto de Lei (N.º 7.123) em tramitação
no Congresso Nacional que busca alterar o Sistema Nacional de Unidades
de Conservação (SNUC) para permitir a reabertura de uma antiga estrada
que cortava o Parque, fechada em 2003 por decisão judicial. Há ainda os
impactos de uma hidroelétrica nos limites desse parque.
Estudo realizado por cientistas da Universidade Federal de Pernambuco
e do Imazon, apresentado em abril na publicação científica Conservation Biology,
indica que nas últimas três décadas o Brasil perdeu 5,2 milhões de
hectares de florestas nativas que eram protegidas por Lei, área
equivalente ao território da Costa Rica.
Com isso, além da perda de patrimônio público, o país desperdiça
oportunidades de ativar a economia nacional, fomentar iniciativas para
promover o desenvolvimento regional por meio de atividades sustentáveis
ou ligadas ao turismo que poderiam gerar mais trabalho e melhorar a
distribuição de renda, contribuindo para a inclusão social.
Um ótimo exemplo desse potencial é o Parque Nacional da Serra da
Capivara, localizado no sudeste do Estado do Piauí e que recebe turistas
de todo o mundo interessados em conhecer sítios arqueológicos que
preservam centenas de pinturas rupestres. Quem visita o Parque descobre
também uma das melhores infraestruturas do país, fruto do trabalho de
quatro décadas da pesquisadora e arqueóloga Niéde Guidon. São mais de
400 km de estradas internas com drenagem, pavimentação nos trechos mais
complicados, centenas de sítios arqueológicos preparados para visitação
com passarelas e rampas de acesso, iluminação, sinalização bilíngue e
coletores de lixo, entre outros.
O trabalho da doutora Niéde e sua equipe da Fundação Museu do Homem
Americano tem revolucionado as teorias de ocupação das Américas,
conquistando prêmios e reconhecimento internacionais. Impressionante
também o impacto na realidade das comunidades do entorno do parque:
escolas de tempo integral foram construídas para atender às crianças da
região, incluindo alimentação e tratamento dentário. Técnicas de
apicultura e produção de cerâmica foram repassadas aos jovens. As
mulheres, que antes dependiam dos maridos, passaram a ocupar vagas nas
mais diversas atividades oferecidas pelo Parque.
Na cidade de São Raimundo Nonato, com cerca de 35 mil habitantes, foi
construído o “Museu do Homem Americano”, comparável aos melhores do
mundo nessa área, o Centro Cultural Sérgio Motta, que conta com
laboratórios onde pesquisadores de diversas partes do mundo e moradores
locais trabalham e um campus da Universidade Federal do Vale do São
Francisco, com o primeiro curso público de graduação em arqueologia do
Brasil. A notícia ruim é que todas essas conquistas estão hoje ameaçadas
pela falta de investimentos públicos, necessários para manter a
estrutura implantada. Um hotel 6 estrelas, nos moldes do que existe na
África do Sul, já teve também seu projeto aprovado, mas ainda não saiu
do papel pela falta de conclusão de um aeroporto, em obras há mais de 10
anos.
Segundo a Organização Mundial do Turismo, o turismo de natureza é o
segmento que mais cresce no mundo, entre 15% e 25% no ano. No entanto, o
Brasil, potência ambiental com beleza paisagística incrível, pouco
aproveita. Recente pesquisa do Instituto Semeia avaliou
o potencial econômico das Unidades de Conservação brasileiras e
constatou que o uso turístico dessas áreas poderia gerar uma receita de
até R$ 168 bilhões em dez anos. Comparar essa receita com o PIB nacional
(R$ 5,2 trilhões) pode, à primeira vista, sugerir que o potencial é
pequeno. Trata-se contudo de uma conclusão equivocada. Nos EUA, por
exemplo, 70% da visitação está concentrada em 20% dos parques preferidos
pelo público. Supondo que no caso brasileiro 70% da receita adicional
potencial desses 168 bilhões também seja concentrada no primeiro quintil
das regiões ordenadas pelo turismo, o impacto médio sobre o PIB desses
locais é bastante expressivo, da ordem de 3,5%.
Os Parques Nacionais realmente estão abandonados num contexto de uma
agenda de país. O Brasil precisa reconhecer as Unidades de Conservação
como o seu maior ativo e priorizar novos mecanismos e recursos aos
patrimônios existentes para que o País também se fortaleça como destino
turístico. Hoje, nem os brasileiros nem visitantes estrangeiros podem
usufruir adequadamente dessas riquezas.
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O
Cristo Redentor é uma das sete maravilhas do mundo moderno, um símbolo
do Brasil no exterior e a atração turística mais conhecida do Rio de
Janeiro. Do alto da Floresta da Tijuca, o que pouca gente sabe é que o
Corcovado, onde fica o Cristo, está dentro de uma Unidade de Conservação
(UC), o Parque Nacional da Tijuca, referência do potencial turístico
dos Parques Nacionais do País, com mais de 2 milhões de visitas por ano.
Com 3.953 hectares de área, o Parque protege fragmentos do bioma Mata
Atlântica essenciais para a cidade, sendo responsável pela oferta de
diversos serviços ambientais, como a manutenção do manancial hídrico,
controle da erosão e redução da poluição atmosférica, além de manter a
rica biodiversidade local. Ao mesmo tempo, é um polo de turismo
sustentável e uma importante área de lazer. O exemplo do Parque Nacional da Tijuca é ainda um ponto fora
da curva na realidade dos parques brasileiros. Atualmente, dos quase 70
parques nacionais existentes no país, apenas 26 estão abertos à
visitação e só 18 possuem infraestrutura mínima. Em 2012, esses parques
tiveram 5,3 milhões de visitantes e arrecadaram quase R$ 27 milhões com a
venda de ingressos, sendo que pouco mais de 3 milhões de visitas
ocorreram somente nos Parques Nacionais da Tijuca e do Iguaçu (PR),
sendo este segundo um exemplo emblemático da desvalorização dos nossos
parques.
O Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas do Iguaçu,
patrimônio natural da humanidade, é o segundo mais visitado do Brasil e
está gravemente ameaçado por um Projeto de Lei (N.º 7.123) em tramitação
no Congresso Nacional que busca alterar o Sistema Nacional de Unidades
de Conservação (SNUC) para permitir a reabertura de uma antiga estrada
que cortava o Parque, fechada em 2003 por decisão judicial. Há ainda os
impactos de uma hidroelétrica nos limites desse parque.
Estudo realizado por cientistas da Universidade Federal de Pernambuco
e do Imazon, apresentado em abril na publicação científica Conservation Biology,
indica que nas últimas três décadas o Brasil perdeu 5,2 milhões de
hectares de florestas nativas que eram protegidas por Lei, área
equivalente ao território da Costa Rica.
Com isso, além da perda de patrimônio público, o país desperdiça
oportunidades de ativar a economia nacional, fomentar iniciativas para
promover o desenvolvimento regional por meio de atividades sustentáveis
ou ligadas ao turismo que poderiam gerar mais trabalho e melhorar a
distribuição de renda, contribuindo para a inclusão social.
Um ótimo exemplo desse potencial é o Parque Nacional da Serra da
Capivara, localizado no sudeste do Estado do Piauí e que recebe turistas
de todo o mundo interessados em conhecer sítios arqueológicos que
preservam centenas de pinturas rupestres. Quem visita o Parque descobre
também uma das melhores infraestruturas do país, fruto do trabalho de
quatro décadas da pesquisadora e arqueóloga Niéde Guidon. São mais de
400 km de estradas internas com drenagem, pavimentação nos trechos mais
complicados, centenas de sítios arqueológicos preparados para visitação
com passarelas e rampas de acesso, iluminação, sinalização bilíngue e
coletores de lixo, entre outros.
O trabalho da doutora Niéde e sua equipe da Fundação Museu do Homem
Americano tem revolucionado as teorias de ocupação das Américas,
conquistando prêmios e reconhecimento internacionais. Impressionante
também o impacto na realidade das comunidades do entorno do parque:
escolas de tempo integral foram construídas para atender às crianças da
região, incluindo alimentação e tratamento dentário. Técnicas de
apicultura e produção de cerâmica foram repassadas aos jovens. As
mulheres, que antes dependiam dos maridos, passaram a ocupar vagas nas
mais diversas atividades oferecidas pelo Parque.
Na cidade de São Raimundo Nonato, com cerca de 35 mil habitantes, foi
construído o “Museu do Homem Americano”, comparável aos melhores do
mundo nessa área, o Centro Cultural Sérgio Motta, que conta com
laboratórios onde pesquisadores de diversas partes do mundo e moradores
locais trabalham e um campus da Universidade Federal do Vale do São
Francisco, com o primeiro curso público de graduação em arqueologia do
Brasil. A notícia ruim é que todas essas conquistas estão hoje ameaçadas
pela falta de investimentos públicos, necessários para manter a
estrutura implantada. Um hotel 6 estrelas, nos moldes do que existe na
África do Sul, já teve também seu projeto aprovado, mas ainda não saiu
do papel pela falta de conclusão de um aeroporto, em obras há mais de 10
anos.
Segundo a Organização Mundial do Turismo, o turismo de natureza é o
segmento que mais cresce no mundo, entre 15% e 25% no ano. No entanto, o
Brasil, potência ambiental com beleza paisagística incrível, pouco
aproveita. Recente pesquisa do Instituto Semeia avaliou
o potencial econômico das Unidades de Conservação brasileiras e
constatou que o uso turístico dessas áreas poderia gerar uma receita de
até R$ 168 bilhões em dez anos. Comparar essa receita com o PIB nacional
(R$ 5,2 trilhões) pode, à primeira vista, sugerir que o potencial é
pequeno. Trata-se contudo de uma conclusão equivocada. Nos EUA, por
exemplo, 70% da visitação está concentrada em 20% dos parques preferidos
pelo público. Supondo que no caso brasileiro 70% da receita adicional
potencial desses 168 bilhões também seja concentrada no primeiro quintil
das regiões ordenadas pelo turismo, o impacto médio sobre o PIB desses
locais é bastante expressivo, da ordem de 3,5%.
Os Parques Nacionais realmente estão abandonados num contexto de uma
agenda de país. O Brasil precisa reconhecer as Unidades de Conservação
como o seu maior ativo e priorizar novos mecanismos e recursos aos
patrimônios existentes para que o País também se fortaleça como destino
turístico. Hoje, nem os brasileiros nem visitantes estrangeiros podem
usufruir adequadamente dessas riquezas.
- See more at: http://www.sosma.org.br/90197/chances-inexploradas-nos-parques-brasileiros/#sthash.F45OMS2n.dpuf
Quando se pensa na questão do ir e vir, mais do que em termos do direito do cidadão, seja este o residente ou o turista, precisamos reclamar como esse serviço se (nos) apresenta. E a coisa vai mal quando se sabe que a prestadora desta suposta facilidade, quer dizer, do tal recurso (pois um termocomo facility, não é condizente em nossa realidade) não ajuda nem no trato da própria força de trabalho para que este e deste "bem" possamos nos servir adequadamente.
Pois, eis que este é o caso de Sorocaba, onde, a despeito de ser uma das poucas cidades paulistas com razoável extensão de ciclovias, comparativamente às demais localidades brasileiras de mesmo porte, tem essa questão da mobilidade urbana administrada pela Urbes, que precisa aprender primeiro a tratar seus próprios funcionários com mais dignidade. Segue abaixo, o exemplo recente, de uma lição, recebida à contragosto e que o desfecho favorável ao empregado, sirva de exemplo em mais lugarejos tupiniquins.
Ribeirão Preto é outra dessas cidades que precisam aprender muito neste quesito do "o que se quer" para que o deslocamento de pedestres, ciclistas, motociclistas e motorizados de todo tipo não colapse dentro em bem breve. Entregar isto para uma Transerp, que há muito se figura como entidade pseudo pública, eminência tal qual a cor do Pardo de muitas administrações, é a receita para o maior dos desastres. Que dizer de uma prolongada discussão inepta sobre se o sistema a ser adotado para controle de catracas eletrônicas nos parcos coletivos da Ritmo deve ser por reconhecimento digital ou facial... mais da dinheirama mal direcionada...
E, enquanto, isto, Helsinki, na singela Finlândia, anuncia para 2025, a quase desnecessidade de uso do automóvel... também Nova Iorque, para pensar grande de verdade, tem lá suas reflexões... tudo que e é preciso para se tentar soluções. Algo para ser lido em detalhes nestes dois posts da Archdaily: aqui em Helsinki e aqui em New York
Mas, voltando à nossa realidade brasuca, em Sorocaba...
O Ministério Público do Trabalho divulgou no dia 27 a condenação de
multa de R$ 50 mil à Empresa de Desenvolvimento Urbano e Social de
Sorocaba (Urbes), por demitir um funcionário por “discriminação
estética”. A vítima do caso é o vocalista e baixista da banda Lecher,
Juliano Afonso Costa Xavier, que foi impedido de exercer o cargo de
agente de trânsito por conta de seus cabelos compridos.
Xavier disse que sofreu com o processo: “É lamentável que eu
tivesse de passar por isso dentro da própria administração pública. O
que esperar de um governo com essa orientação? Felizmente, a justiça foi
feita”
O órgão público também denunciou a existência do regulamento interno da Urbes, que proíbe que agentes usem “adornos,
piercings e tatuagens que possam prejudicar a apresentação pessoal, bem
como, o uso de brincos no caso de agentes do sexo masculino” ou “apresentar-se ao serviço com costeleta, barbas ou cabelos crescidos, bigode ou unhas desproporcionais”. Devido ao regulamento, a empresa foi condenada por danos morais coletivos e deve destinar os R$ 50 mil em prol da comunidade.
O vocalista diz que quer o seu trabalho de volta: “Compreendo que tenho o direito de voltar mesmo cabeludo e eu quero voltar. Quero ser o amarelinho cabeludo”.
essa notícia, extraída diretamente de onde o headbanging não para: WikiMetal
Ok, não é pretender que se ignore o clichê da multi/ trans/ interdisciplinaridade do turismo. Este Laboratório, este Labtur, sempre defenderá que sem comunicação não há turismo. Pode haver Geografia. Pode haver Economia. Há quem diga ainda que sem Administração não há nada das anteriores. Mas o ponto não é esse.
Aqui quer se deixar rastros, registros de diferentes formas de se portar como turista e comunicador. Espera-se que, quem ainda não pode apreciar a leitura dos 2 textos a seguir (e quem já pode, releia-os) , vá, inclusive, fazer reflexões de como a comunicação pode influenciar o turismo e como o sujeito enquanto turista, seja num ofício jornalístico ou na interação social que houver, promove essa comunicabilidade caótica, invariavelmente, apenas informação exacerbada travestida de conhecimento.
Que seja, é Copa do Mundo, é Brasil e o que agentes do jornalismo, de dentro e de fora, promovem para quem é local ou para quem é "estrangeiro" e quem turistando em seu próprio país. Estes mesmos, geradores do que vai "virar notícia viral". Não importa de qual lugar, fala-se ao globo: este é o caso da "barrigada" do jornalista (viajandão!) Mario Sergio Conti contada pelo jornalista Flavio Gomes e o outro é pré #nãovaitercopa, a "dedada" do jornalista ("turista"?) Mikkel Jensen em nossas feridas, contada pelo jornalista Igor Natusch.
O que todos querem no mundo hoje? Aumento de
população com recursos ilimitados a nossa disposição, com queima de
energia ilimitada para melhorar a qualidade de vida de toda essa
população, sem avaliar muito a situação. É assim que estamos nos
comportando. Até que uma catástrofe, uma situação-limite provoque uma
mudança. Eu não vejo avanço nenhum nos últimos anos.
A entrevista completa com Jefferson Simões, do Programa Antártico Brasileiro para o site da Carta Maior pode ser lida originalmente neste link
por Marco Aurélio Weissheimer, com destaques e correções de digitação.
Porto Alegre - A
situação do derretimento de gelo no planeta e seus impactos sobre o
clima, o meio ambiente e a vida humana são preocupantes. Houve um erro
em termos de comunicação social, há alguns anos, ao se passar a ideia de
que o mundo iria acabar. Como não acabou imediatamente, parece que está
tudo bem. Isso vai custar muito para a humanidade, mas não vem do dia
para a noite. O processo de mudanças climáticas no sistema global é
gradativo, com aceleração em alguns momentos e aumento de eventos
extremos em outros. Não estamos tomando as medidas que precisaríamos
tomar e seguimos em frente, até que uma catástrofe, uma situação-limite,
provoque uma mudança. A avaliação é do glaciologista brasileiro
Jefferson Cardia Simões, professor da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul e diretor do Centro Polar Climático da UFRGS.
Em
entrevista à Carta Maior, Jefferson Simões, um dos principais
pesquisadores do Programa Antártico Brasileiro, coordenador do Instituto
Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera e delegado nacional no Scientific Committee on Antarctic Research (SCAR)
do Conselho Internacional para a Ciência, fala sobre os processos de
derretimento de gelo hoje no planeta e suas implicações ambientais,
econômicas e mesmo geopolíticas.
No dia 31 de março deste ano, o
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na
sigla em inglês) divulgou um relatório afirmando que o impacto o
aquecimento global será “grave, abrangente e irreversível”. O documento
foi apresentado como sendo a avaliação mais completa já feita sobre o
impacto das mudanças climáticas no planeta. Segundo o relatório, até
aqui os efeitos dessas mudanças foram sentidos principalmente pela
natureza, mas, daqui em diante, o impacto direto sobre a humanidade será
cada vez maior, atingindo áreas como saúde, habitação, alimentação e
segurança da população. Na entrevista à Carta Maior, concedida em seu
gabinete na UFRGS, Jefferson Simões explica qual está sendo a
contribuição dos processos de derretimento de gelo neste processo:
“Existe
um cenário factível apresentado pelo IPCC (Painel Intergovernamental
sobre Mudanças Climáticas da ONU), que é de um aumento do nível do mar
de 20 centímetros a um metro até o ano de 2100. O que não sabíamos há
dez anos era que a Antártica estava contribuindo mais para esse
processo. Por enquanto é pouco, cerca de meio milímetro por ano, mas com
possibilidade de ultrapassar um milímetro ou mais ao longo desse século
e depois, quem sabe, num evento extremo, contribuir com um metro de
elevação”, adverte.
Qual a situação atual do problema do degelo no planeta? O que há de verdade e o que há de desinformação em torno desse tema?
Jefferson Simões:
A primeira coisa que é preciso entender é que, no planeta Terra, nós
temos dois tipos de gelo: gelo frio e quente. Nós temos o gelo de
geleira, formado através de precipitação e que se acumula durante
milhares de anos formando geleiras que têm alguns quilômetros quadrados
de extensão e formam o grande manto de gelo da Antártica, com 13,6
milhões de quilômetros quadrados, com uma espessura que chega a quase
cinco quilômetros de gelo. A média da espessura desse manto de gelo é de
2.100 metros. Esse é o gelo que está em cima do continente antártico.
Evidentemente, se ele começa a derreter, a água vai para o oceano e isso
vai aumentar o nível do mar. Infelizmente, isso muitas vezes é
confundido com outro tipo de gelo que temos no planeta Terra e que nós
chamamos de mar congelado. Na literatura antiga brasileira, era chamado
de banquisa. Isso nada mais é o mar que, em função da temperatura baixa
na superfície do oceano, forma uma película de gelo de um, dois, no
máximo cinco metros de espessura. Isso ocorre basicamente em todo o
Ártico e também ao redor da Antártica. Esse gelo pode desaparecer
completamente. Isso teria implicações climáticas, mas nenhuma implicação
quanto ao nível dos oceanos. Muitas vezes, quando se anuncia o
derretimento do gelo marinho do Ártico, se confunde isso com o
derretimento de gelo da Groenlândia, que também é um manto de gelo.
Nós
temos hoje no planeta Terra dois mantos de gelo: o da Antártica, com
13,6 milhões de quilômetros quadrados, e o da Groenlândia, com 1,7
milhões de quilômetros quadrados. Isso representa 96% do volume de gelo
do planeta, sendo que 90% desse volume está na Antártica.
Uma das
grandes questões na ciência ambiental hoje em dia e também na ciência
da glaciologia (que é a ciência da neve e do gelo em todas as suas
formas) é: qual é o balanço de massa do gelo existente no planeta em
relação às ações e fenômenos ambientais como o aquecimento global. Nós
temos um monitoramento de geleiras pequenas nos últimos 140 anos. Há uma
bateria de dados muito antigos. Não é verdade que só temos dados dos
últimos 30 ou 40 anos, como algumas pessoas dizem. O que sabemos hoje é
que aqueles locais onde há gelo perto do ponto de fusão, o que ocorre
basicamente em todas as montanhas, nas regiões tropicais e temperadas, o
aquecimento observado ao longo do século 20 (0,8 graus centígrados em
média, nos últimos 140 anos) já começou a afetar esse gelo. Esse degelo
está contribuindo para o aumento do nível do mar. Outra parte que também
está contribuindo muito é o sul da Groenlândia. A maior parte hoje do
aumento do nível do mar está vindo dessa região e de geleiras na
periferia da Antártica. O volume de gelos das montanhas representa
apenas 1% do gelo do planeta, portanto sua contribuição para a elevação
do nível dos oceanos é menor.
Os
cenários elaborados pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate
Change) têm variado de uma elevação mínima de 20 centímetros, até
2100, chegando a um máximo de um metro, em casos mais dramáticos mas
ainda realistas.
O que está acontecendo especificamente no caso da Antártica?
Jefferson Simões:
Para responder a essa questão, em primeiro lugar é preciso ter a
consciência de que a Antártica é muito grande. Até 1989 nós não tínhamos
nem definido a forma precisa desse continente. Começamos a ter as
imagens mais completas da Antártica, com fotos de satélites, só início
da década de 1990. Só conseguimos começar a medir a variação da
espessura do manto de gelo da Antártica nos últimos dez anos com o
ingresso em órbita de dois novos satélites de alta precisão. O volume de
gelo é muito grande. Estamos falando de 25 ou 26 milhões de quilômetros
cúbicos de gelo. Para ter uma ideia mais clara desse número, isso
equivale a uma camada de quase três quilômetros de gelo preenchendo por
igual todo o território brasileiro. Recentemente, dois novos satélites, o
Icesat e o Criosat, começaram a fazer essas medidas sobre a altura o
manto de gelo e trouxeram novos dados. Como resultado disso, tivemos nas
últimas semanas a publicação de vários artigos revisando as avaliações
sobre o comportamento do manto de gelo na região nos últimos anos.
A
Antártica é dividida em três partes. Temos a península Antártica, que é
a região mais amena e mais próxima da América do Sul, onde o gelo está
perto do ponto de fusão e está derretendo, contribuindo para o aumento
do nível do mar. Cerca de 90% das geleiras desta região estão recuando e
perdendo massa. Junto com isso há uma série de processos ambientais
ocorrendo na região. A água da superfície do oceano está ficando mais
fresca e está diminuindo a sua salinidade, começam a aparecer algumas
espécies exóticas de gramíneas e liquens. Essa é uma das áreas que mais
aqueceu no planeta todo, cerca de 3,1 graus centígrados. Mas todos esses
fenômenos não são exatamente novidades. Já sabíamos disso há cerca de
vinte anos. O que os artigos mais recentes trazem de novo são os dados
do monitoramento realizado pelos satélites Icesat e Criosat sobre a
espessura do manto de gelo da Antártica.
Esse manto é dividido em
duas partes: ocidental e oriental. O oriental, localizado ao sul dos
oceanos Índico e Pacífico, tem aproximadamente 70% do gelo da Antártica.
Outros 25% estão no manto de gelo ocidental, localizado ao sul do
Atlântico e do Pacífico sudeste. A península tem menos de 3% de todo
gelo do continente. O manto de gelo da Antártica oriental é muito frio,
com gelo a menos de 60 graus centígrados e chegando a cinco quilômetros
de espessura. Esse gelo não derreterá em função de um aquecimento de
dois, três ou quatro graus, e não temos evidência nenhuma de que esteja
derretendo. Mas o manto de gelo da Antártica ocidental, cujo volume é
menor e onde o gelo está a menos dez, vinte ou trinta graus tem uma
característica própria: em muitas áreas, a rocha, o substrato onde ele
está assentado, está situado abaixo do nível do mar. Além a atmosfera, a
água do oceano nesta região está aquecendo, com potencial de lubrificar
por baixo plataformas de gelo, fazendo com que elas deslizem e depois
recuem em movimentos abruptos, jogando mais gelo no mar.
E esse fenômeno vem aumentando?
Jefferson Simões:
Os artigos mais recentes afirmam que essa parte da Antártica está
mostrando os primeiros sinais que esse processo já iniciou. Um deles diz
que a contribuição atual do degelo na Antártica para o aumento o nível
do mar, que é de 0,2 milímetros por ano, pode, em cem anos, aumentar
para dez vezes mais. Parece que esse processo já iniciou e até o fim
deste século, a região deve estar contribuindo com algo em torno de dez
centímetros por século no aumento do nível os oceanos. Outros artigos
sustentam que em um período entre dois e nove séculos esse processo pode
se acelerar, não por derretimento, mas pela instabilidade dinâmica das
geleiras, contribuindo para a elevação de quatro a cinco metros no nível
dos mares.
Um aumento de um metro por século seria catastrófico.
Existem evidências de que isso já ocorreu em um passado muito distante,
no final das idades de gelo, há cerca de 126 mil anos, quando houve um
aumento abrupto, em 500 anos, de até cinco metros no nível do mar.
Agora, note que em momento algum da nossa conversa aqui eu referi
aqueles números absurdos que volta e meia aparecem sobre a elevação do
nível dos mares. Eu já ouvi gente falando em 60 ou 70 metros e imagens
mostrando o Rio de Janeiro embaixo d’água. Isso não existe, sequer é
viável fisicamente. Eu sei de onde saiu esse número. O que as pessoas
dizem? Se o gelo da Antártica e da Groenlândia derretesse o nível do mar
aumentaria 60 metros. Mas ninguém pergunta se isso é viável fisicamente
ou quando é que foi a última vez que algo assim aconteceu. Pois a
última vez foi há mais 35 milhões de anos. Há 40 milhões de anos, não
havia geleiras no planeta Terra.
O momento que vivemos na
história do planeta Terra é raro em termos geológicos. Nós temos
glaciação nos dois hemisférios e nas duas regiões polares. Em termos da
escala humana, nós evoluímos exatamente neste período, o que é
interessante. A evolução dos hominídeos e o assentamento da espécie
humana ocorre neste período de muita variação de clima, com idades de
gelo e interglaciais que é o que estamos vivendo nos últimos dez mil
anos.
Então, existe um cenário factível apresentado pelo IPCC,
que é de um aumento do nível do mar de 20 centímetros a um metro até o
ano de 2100. O que não sabíamos há dez anos era que a Antártica estava
contribuindo mais para esse processo. Por enquanto é pouco, cerca de
meio milímetro por ano, mas com possibilidade de ultrapassar um
milímetro ou mais ao longo desse século e depois, quem sabe, num evento
extremo, contribuir com um metro de elevação.
Além do aumento
do nível dos mares, o degelo influi também no processo de mudanças
climáticas. Que contribuições o derretimento dá para as mudanças o
clima?
Jefferson Simões: O problema não se dá pelo
derretimento das geleiras, uma vez que elas derretem na própria região
polar e não mudam muito o balanço de energia do planeta. O grande receio
aí está no outro gelo. A variação de gelo marinho ao redor da Antártica
é a maior variação sazonal conhecida na natureza. O gelo marinho varia
de 1,8 (no auge do verão, em fevereiro) a 20 milhões de quilômetros
quadrados ( no final do inverno) em cinco ou seis meses. O mesmo
processo ocorre no Ártico. Nos últimos trinta anos e, especialmente, na
última década, a extensão mínima dele decresceu mais de 50%, caindo de 7
milhões de quilômetros quadrados para algo em torno de 4 milhões de
quilômetros quadrados, no auge o verão, que ocorre no final de setembro.
Isso muda sim o clima.
No
momento em que se altera a extensão do mar congelado, muda também o
balanço de energia, ou seja, mais energia vai sair do oceano para a
atmosfera do Ártico, que é uma região mais aquecida que a Antártica. Com
isso, diminui a pressão atmosférica entre a região polar ártica e a
região temperada, o que implica mudança dos padrões de circulação
atmosférica. Então, o Ártico está aquecendo, derretendo gelo, mudando a
quantidade de energia que sai do oceano para a atmosfera, e alterando o
padrão dos ventos e da circulação. Isso ajuda a entender alguns eventos
extremos que estamos presenciando agora, na América do Norte, onde
alguns lugares têm ondas de frio e outros têm ondas de calor, na mesma
latitude. Isso está claro. Estamos vendo mais eventos extremos na região
polar ártica.
Além disso, há outros impactos ambientais.
Diminuindo a extensão do gelo marinho, muda a cor do planeta, aumenta o
nível de radiação incidindo sobre os micro-organismos que são base da
cadeia alimentar o que provoca uma série de outros problemas. Essas
mudanças ambientais sempre ocorreram e sempre vão ocorrer, mas elas
ocorriam em velocidades menores. O problema da interferência humana é a
alteração para mais dessa velocidade.
O derretimento de massas
de gelo também provoca efeitos sociais, como ocorre agora na região dos
Andes, onde está associado com problemas de abastecimento de água. Como
está essa situação nos Andes?
Jefferson Simões: O
derretimento de gelo nas regiões montanhosas tem provocado uma série de
problemas relacionados com o armazenamento de água. Cerca de 70% da água
de La Paz vem de derretimento de gelo. Há um excedente de água no
começo em função do derretimento, mas falta um bom armazenamento. É como
se fosse uma represa e você começa a perder a represa.
Os
países andinos, especialmente Bolívia e Peru, estão muito preocupados e
há projetos do Banco Mundial para enfrentar esse problema. Nós estamos
com um projeto para mapear várias dessas geleiras. Há um fato
interessante aí que é que nós não sabemos ainda quais são as implicações
do desaparecimento de parte dessas geleiras para a bacia amazônica. Uma
das questões a elucidar diz respeito ao impacto do transporte de
sedimentos resultantes do degelo nestas barragens que estão surgindo em
Rondônia. Ou seja, estamos começando a associar gelo com Amazônia, o que
não chega a ser uma surpresa, pois o sistema todo é indiviso.
No
Ártico, que tem uma população de aproximadamente 4 milhões de pessoas,
nós já estamos tendo alguns problemas: mudança de modo de vida das
populações locais; problemas estruturais em construções por causa do
derretimento do solo congelado, conhecido como permafrost. No caso do
desaparecimento do gelo do Ártico temos também algumas oportunidades
aparecendo, como a possibilidade de diminuir as rotas entre a Europa e o
nordeste dos Estados Unidos para a Ásia. Isso significa custos menores
no transporte, mas também abre a possibilidade de conflitos. Quem é o
proprietário e tem direito de explorar os recursos naturais do Ártico
que estão ficando mais acessíveis em função do degelo? A Rússia
considera grande parte do Ártico seu território ou, pelo menos, seu
quintal. Então, o derretimento do gelo vai afetar questões da economia e
da geopolítica mundial.
Além da parte científica, o seu
trabalho também tem uma dimensão política que é o acompanhamento das
negociações internacionais para enfrentar esses problemas. Como é que
você analisa a evolução dessas negociações?
Jefferson Simões:
Não está havendo avanço. A grande questão é a seguinte: quem é que vai
pagar a conta? Há um custo embutido nas medidas que precisam ser tomadas
e, apesar de todo discurso ambientalista em favor da sustentabilidade,
nós não mudamos o nosso modo de vida. Tomemos, por exemplo, a própria
política do governo brasileiro nos últimos anos de incentivar a produção
e comercialização de automóveis sem fazer um esforço semelhante para
ampliar o transporte coletivo urbano. Nós vamos ter que reestudar toda a
nossa política energética e, talvez, considerar que, em alguns casos, a
energia nuclear é uma alternativa menos poluente para enfrentar esse
problema mais imediato do aquecimento. O que não significa dizer,
obviamente, que ela não tenha problemas. Não podemos mais ter uma visão
mágica e acreditar que uma única fonte de energia pode resolver todos os
problemas.
O que todos querem no mundo hoje? Aumento de
população com recursos ilimitados a nossa disposição, com queima de
energia ilimitada para melhorar a qualidade de vida de toda essa
população, sem avaliar muito a situação. É assim que estamos nos
comportando. Até que uma catástrofe, uma situação-limite provoque uma
mudança. Eu não vejo avanço nenhum nos últimos anos. Estamos mais
conscientes, de modo geral, o problema ambiental está em todas as
agendas, mas em termos práticos não avançamos muito. Em relação a alguns
temas, o que podemos fazer é mitigar os problemas e nos adaptar.
Precisamos nos preocupar principalmente com o impacto daquelas
populações que têm menos condições.
A situação é preocupante.
Houve um erro em termos de comunicação social, há alguns anos, ao se
passar a ideia de que o mundo iria acabar. Como não acabou, parece que
está tudo bem. O processo de mudanças climáticas no sistema global é
gradativo, com aceleração em alguns momentos e aumento de eventos
extremos em outros. Isso vai custar muito para a humanidade, mas não vem
do dia para a noite.
E dentro da comunidade científica esse tema está resolvido? Qual é o peso das correntes dos céticos e negacionistas climáticos?
Jefferson Cardia Simões:
Não existe corrente dos céticos. Esse foi um problema gerado pela
imprensa, por não entender como é que a ciência funciona. A ciência, em
especial as ciências da natureza, funciona por evidências, não por
discursos. Em 2008, 2009, tivemos vários meios de comunicação que
procuravam dar o mesmo espaço para diferentes opiniões, como se fosse
uma questão de discurso. As ciências naturais não funcionam com base em
discurso ou na dialética. Hoje, 98% dos artigos científicos e das
opiniões dos cientistas tem uma mesma posição bem clara. Há 2% dos
artigos que dizem que não é bem assim. E há um grupo de negacionistas,
que não são céticos e que escondem ideologias conservadoras ou teorias
da conspiração.
Em alguns casos, há lobbies políticos
financiando essas opiniões, como ocorre com setores da extrema-direita
norte-americana agrupados no Tea Party e em outros grupos reunidos no
Partido Republicano. Esses grupos adotaram uma política há cerca de 25
anos que repete a lógica adotada em relação à indústria do fumo: temos
que postergar medidas o máximo possível, pois isso nos dá prejuízo
econômico. Daí se nega o que está acontecendo, muitas vezes se nega o
próprio racionalismo. A principal crítica da comunidade científica para
esses grupos consiste em perguntar: apresentem outra alternativa para o
que estamos vendo. Eles não têm.
Essa dica é pra durante, antes e depois da Copa também. Esse é apenas um exemplo rápido: o The Guardian, que fez um guia no final do ano passado ainda, e que, de completo, tem todas as cidades sedes desse que é o evento mais aguardado em muito tempo, em ambos os casos, ou seja, tanto para a exaltação como para a deploração de muitos.
Tanto o trecho inicial do texto original como os links para o conteúdo, "completo" seguem aqui, na matéria entitulada da forma mais evidente, de: The complete travel guide to Brazil´s World Cup cities em que o destaque está por conta das dicas dos próprios correspondentes estrangeiros (neste caso britânicos, na maioria dos casos, se supõe) e que já estiveram nos locais descritos ou inclusive, moram pelas localidades retratadas. Quando não são "gringos", são provavelmente correspondentes locais desse respeitado jornal e/ou parceiros nas empreitadas jornalísticas. Isso confere credibilidade, boas dicas, mesmo nas inevitáveis referências aos "cartões de visita" (pois os "postais" estão em desuso, infelizmente) das cidades e pontos em destaque de experts, sobretudo na escolha do bar com a cerveja mais próxima e restaurantes que possam agradar ao turista estrangeiro.
Aqui vai o roteiro da jornada que a Bola do Espírito do Futebol 2014 toma, desde janeiro, quando foi lançada. Com New Model Army na trilha sonora. Vamos de Beautiful Game.
Confira o texto original na circular da SOS MA de número 455, publicada em 10/12/2013. Endosse o "Não ao desmatamento para fins turísticos".
O Brasil é um país extremamente rico em expressões artesanais e a
diversidade etnocultural e as inúmeras comunidades tradicionais – de
indígenas, caiçaras, ribeirinhas e quilombolas, entre outras – permite o
desenvolvimento de um artesanato primoroso em todo o país.
No entanto, a falta de regras para o aproveitamento de recursos
naturais na produção do artesanato muitas vezes tem contribuído para a
exploração predatória de remanescentes de vegetação nativa em várias
regiões pela extração desregrada e insustentável de madeiras, fibras,
sementes e outros tipos de matéria-prima. O resultado é a degradação de
áreas naturais, de parques nacionais e de outras unidades de conservação
no Brasil.
Um dos casos mais graves é registrado entre Porto Seguro, Prado e
Itamaraju, no extremo sul da Bahia, região famosa não apenas por ser o
local do “descobrimento do Brasil”, mas também por abrigar um dos
maiores remanescentes de Mata Atlântica do Nordeste*.
Essa região abastece um tráfico de mais de 30 mil metros cúbicos
anuais de madeiras raras da Mata Atlântica. O material é amplamente
usado em pratos, tigelas, tábuas de carne, talheres, gamelas, pilões,
enfeites ou potes de mel, todos vendidos abertamente em rodovias, feiras
populares e lojas nos centros urbanos.
O tráfico se concentra nas porções preservadas das florestas e abre
novas frentes de devastação pela busca de árvores de grande porte,
muitas ameaçadas de extinção. Jacarandá, pau-brasil, parajú, arruda,
mussutaiba, arapati e outras espécies têm sido livremente abatidas e
transformadas em utensílios domésticos e adornos. Visitantes e turistas
geralmente adquirem esses produtos sem consciência do caráter ilegal e
destrutivo.
Em vez de ajudar na geração de renda das comunidades, está
contribuindo para a exploração predatória e fabricação mecanizada de
artefatos, pois não se trata de artesanato, mas de uma indústria que
envolve extração ilegal dentro e fora de áreas protegidas e centenas de
fábricas clandestinas espalhadas, geralmente, pelos quintais de
periferias pobres.
No extremo sul da Bahia, indígenas são responsáveis por menos de 12%
da produção, apesar de seu nome ser amplamente usado para driblar a
fiscalização. Além de impactos ambientais, o “industrianato” gera
subemprego, sem proteção física ou legal. Um objeto vendido a R$ 40 em
São Paulo geralmente é comprado por R$ 1 do produtor.
As árvores nativas, por exemplo, deveriam ser mantidas e poderiam
produzir sementes para plantios comerciais, com fantástico potencial
econômico, ou serem manejadas sob regras que garantam sua manutenção.
Enquanto isso, é possível produzir itens de excelente beleza e qualidade
com espécies exóticas, desde que seu cultivo não leve à degradação da
vegetação nativa ou pressione o dia a dia de populações tradicionais.
Por isso, SOS Mata Atlântica, WWF-Brasil, Grupo Ambientalista da
Bahia (Gambá) e Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA)
participaram da 24ª Feira Nacional de Artesanato (Belo Horizonte/MG)
defendendo que Governo Federal e Congresso Nacional unam esforços com a
sociedade civil para a definição célere, clara e democrática de
legislação e regras para garantir a sustentabilidade socioambiental e
econômica do desenvolvimento do artesanato nacional com matérias-primas
nativas.
Por falar em origens e um certo "pertencimento"...
Entre 2003 e 2009, renda gerada nas atividades de turismo cresceu 32,4%
Em 2009, as atividades
características do turismo geraram renda (valor adicionado) de R$ 103,7
bilhões, um aumento real (descontando as variações de preços) de 4,6% em
relação a 2008. Na série histórica, iniciada em 2003, o crescimento foi
de 32,4%, contra 24,6% de aumento do total da economia.
Em 2009, as atividades características do turismo
tinham 5,9 milhões de ocupações, o que representava 9,9% do total do
setor de serviços e 6,1% do total da economia. Esse contingente foi 1,3%
maior do que em 2008 e 10,5% maior em relação a 2003.
Em 2009, as atividades características de turismo
pagaram R$ 48,8 bilhões em rendimentos (salários e outras
remunerações), 4,8% do total do setor de serviços e 3,5% das
remunerações da economia brasileira. O crescimento nominal (não
descontas as variações de preços), desde 2003, foi de 117,7%, enquanto o
total das atividades da economia teve crescimento nominal de 110,3%.
Essas e outras informações podem ser encontradas
na publicação “Economia do turismo: uma perspectiva macroeconômica
2003-2009”, realizada em parceria com o Ministério do Turismo e que traz
informações como a geração de renda e o número de postos de trabalho
das atividades econômicas relacionadas ao turismo, inclusive o
crescimento da renda gerada pelas atividades características do turismo
desde 2003.
Foi há coisa de 4 anos que este blogue ainda acompanhou o surgimento da Cactus e numa menção àqueles primórdios da UFSCar de Sorocaba, vai a saudação às turmas que começaram e mantém o Turismo em seu "bom nome". Então: prestigiem a 4a. Semana de Turismo na Universidade Federal sorocabana.
Soube deste Playground Designs através de fórum lá do Be Welcome. A dica é sobre a primeira, mas também vai uma recomendação para quem gosta de couch surfing: migre para o segundo link acima, acompanhe a vertiginosa evasão do C$, devido às novas resoluções unilaterais impostas nos termos e condições de filiação ao site do sofazinho que desguardaram uma série de prerrogativas de privacidade e uso de informações e que são o caminho para traduzir-se em venda do conteúdo e rentabilidade do antes "comunitário" surf. Se você se preocupa com isso, antes que aconteça de fato, é melhor se prevenir.
De volta aos playgrounds, é impressionante a constatação de que não há maior interesse em se investir nisso em terras brasilicônicas. Nas praças a céu aberto de sua cidade, por exemplo, tudo é uma beleza ou há um ou outro brinquedinho apenas, invariavelmente mal cuidado, quando não deteriorado até a ponto de se tornar perigo iminente para a criança mais desavisada. Se este texto fala bobagens, por favor, manifeste-se.
Diz-se que nos EUA, a coisa é "parecida", não há essa atenção com relação aos brinquedinhos em espaços públicos porque o lance é entertainment e portanto, deve ser pago, pois pagando, tudo é bom, o privado é que é de qualidade, Valdisney world my brother!
Que seja, aqui, a coisa é mais embaixo: é descaso mesmo, não só de governantes, de cidadão que também não quer nem saber de nada ou que acha que a vida não é pra brincar, então, aceita a ideia de que o lance é só trabalhar e rezar, passivamente, como lhe foi incutida a lógica perversa de alienação: tudo vira um pRayground e com sorte e se SeuDeus quiser, dá até pra comprar uma diversãozinha pois todomundoé fiodedeus e botar um silicone em várias prestações.
Enquanto isso lá na Romênia... nas fotos abaixo, playgrounds em áreas abertas, numa cidade que é metade de Ribeirão Preto: Cluj Napoca é centro de referência universitária na região, segunda cidade de um país com dimensões que se assemelham aos contornos territoriais do Estado do Paraná. Acrescente-se mais a área do Estado do Rio de Janeiro e então temos, o tamanho do que é a Romênia, um país com um PIB grosso modo igual que a destes dois mencionados estados brasileiros somados. Não parece ser dinheiro a questão para se ter ou não mais playgrounds para a comunidade.
E enquanto isso, em Ribeirão Preto ou em São Luís do Maranhão...
Existe na cidade do desgastado e equivocado epíteto de califórnia brasileira um parque prestigiado pela classe média "plus" e emergente conhecido como Curupira. Lá não há playgrounds, como na maioria das praças pela redondeza. Ultimamente, naquele parque que era uma pedreira, nem aparelhos de ginástica ou circuito de atividades aeróbicas estão vistosos. E tem campanha eleitoral alusiva à implantação das tais academias ao ar livre... nada contra a finalidade saudável da coisa, mas vão cuidar e dar manutenção, além de certa orientação para a prática correta, nesse locais em que tais geringonças já foram instaladas? Quanto a prometer que o projeto se estenda para TODAS as praças da cidade, alguém acredita? Não seria mais eleitoralmente oportuno, ainda que oportunista, se propor a realização de mais playgrounds? Num município em que muitos de sentimento bairrista megalomaníaco se gabam de ter (esquecem -se de que é com a população flutuante inclusa) coisa que beire 1 milhão de gente, talvez fosse necessário dar mais atenção às criancinhas e seu desenvolvimento lúdico... coisa que na Jamaica Brasuca, capital maranhense que sem dúvida tem porte de malha urbana com mais de 1.000.000 de pessoas, infelizmente, também não se viu dar maior atenção, já que em comemoração aos seus 400 anos de história, o que mais chamou a atenção foi o odor fétido proveniente da Lagoa da Jensen, os brinquedos quebrados e os toaletes de praça indescritiveis naquele que é um ponto turístico da ilha e não as atrações musicais encomendadas para a festa. Ainda é tudo uma questão para satisfazer o povo com um pouco de circo. Pena, sairia mais barato, preparar as crianças para malabarismos, em playgrounds com boas condições de uso. Cresceriam mais saudáveis, sem que governantes tenham de apelar para tanto exibicionismo circense.